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''Filiação não altera rumo da política monetária''

Henrique Meirelles: presidente do Banco Central; para Meirelles, preocupação com a sua adesão a um partido e eventual candidatura [br]só existe no Brasil

Entrevista com

Nalu Fernandes, NOVA YORK, O Estadao de S.Paulo

26 de agosto de 2009 | 00h00

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, não vê preocupações de investidores estrangeiros com sua eventual filiação a um partido, para disputar eleições no próximo ano. Para Meirelles, o fato de estar vinculado a um partido também não poderia ser usado como um precedente para que o presidente da República, que será eleito em 2010, indique para a presidência do BC um nome da própria base aliada, em detrimento das credenciais que pesariam para a condução da política monetária. Meirelles era do PSDB antes de ser nomeado para o cargo no Banco Central pelo presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva.Em entrevista exclusiva à Agência Estado, em Nova York, o presidente do BC acrescentou que interpretações de que as decisões do BC poderiam ser influenciadas pelo Poder Executivo nascem de um equívoco de avaliação.A seguir, os principais trechos da entrevista.O sr. teve oportunidade de ver muitos investidores nessa viagem aos Estados Unidos. Quão preocupados eles estão sobre uma eventual filiação sua a um partido ao mesmo tempo em que permanece no Banco Central? Não senti grande preocupação. Não há muita dúvida de que isso não altera a condução da política monetária no Brasil nos próximos meses. Existem perguntas sobre o que aconteceria caso eu saísse do BC, seja a partir de abril de 2010 ou a partir de janeiro de 2011. Esse é o foco. Em resumo, não é um problema de se filiar ou não. Essa é uma preocupação que existe mais no Brasil. Aqui a preocupação é a seguinte: saindo do Banco Central, o que esperar da condução da política monetária no Brasil? A filiação do sr. a um partido poderia ser um precedente para que o próximo presidente indique alguém da base política de apoio? Acho que não. Existem claramente critérios de qualificação técnica, de experiência anterior. O que me qualificou para a presidência do BC foram 40 anos de experiência no mercado financeiro mundial, não foram três meses de vida política. Evidentemente, é sempre importante que qualquer presidente do Banco Central tenha qualificação técnica, a experiência e a credibilidade necessária para assumir o cargo.Pode haver uma sombra sobre a independência operacional do Banco Central? Primeiro, não há nenhuma dúvida sobre o que aconteceria neste ano ou no início do ano que vem. A dúvida é qual seria a orientação de política monetária após a minha saída do Banco Central, seja em abril (2010) ou janeiro (2011). Em dito isso, a dúvida é se vai ser mantido o tripé do sistema de metas de inflação seguido criteriosamente, a flutuação cambial e a austeridade fiscal. Essa dúvida é normal de qualquer mudança de governo em qualquer país do mundo, e isso não é uma prerrogativa do Brasil. Haveria muitas dúvidas sobre o que aconteceria nos EUA caso não fosse reapontado o Bernanke. É natural isso. Portanto, é natural que exista essa pergunta. A minha opinião eu já dei. Acho que, por tudo aquilo de que se beneficiou a sociedade brasileira nos últimos anos, eu acredito que será muito difícil para qualquer presidente da República mudar a orientação de política econômica.

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