carteira

As ações mais recomendadas para dezembro, segundo 10 corretoras

''Filiação vai provocar ruídos''

Mas, na opinião de Padovani, não vai interferir nos juros

Ricardo Leopoldo, O Estadao de S.Paulo

22 de agosto de 2009 | 00h00

Caso o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, decida se filiar a um partido até 3 de outubro, essa decisão deverá provocar ruídos no mercado financeiro sobre a trajetória da condução da política monetária no curto prazo, comentou o estrategista do banco WestLB, Roberto Padovani. "Na medida em que ele continue no cargo ao longo dos meses, esses ruídos aumentarão." O dia 3 de outubro é o último dia determinado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que candidatos tenham suas fichas de filiação aceitas por partidos. Se Meirelles decidir concorrer a um cargo público no próximo ano, ele terá de deixar o BC até abril do ano que vem. Na avaliação de Padovani, contudo, não será significativa a eventual tensão dos investidores que poderia ser provocada por uma candidatura de Meirelles. Para ele, tal fato não será expressivo a ponto de alterar a trajetória da curva de juros. Isso porque a decisão sobre a direção dos juros no País é definida por um colegiado, o Comitê de Política Monetária (Copom), que, na convicção de Padovani, promove o debate técnico e não permite que prevaleça qualquer avaliação influenciada por pressões políticas. Sem manifestar uma opinião sobre se Meirelles deve ou não deixar o cargo, Roberto Padovani disse que as dúvidas sobre possíveis efeitos de uma eventual filiação de Meirelles a um partido ocorrem porque o BC não tem a autonomia garantida por lei. "É um problema grave, uma falha institucional séria no nosso País. Se a independência do BC já fosse um fato consumado, não haveria chances para surgirem incertezas relevantes sobre a continuidade da boa gestão da política monetária." Na avaliação de Padovani, uma eventual saída de Meirelles do BC em 2010 não deve alterar as diretrizes que pautam as reuniões do Copom, basicamente marcadas para preservar a estabilidade dos preços e cumprir a meta de inflação, definida em 4,5% para o próximo ano. No caso de Meirelles deixar o cargo, o que não é uma hipótese já cristalizada, ele acredita que há boas possibilidades de seu eventual sucessor ser algum dos atuais diretores do BC. Mas Padovani também evita falar em nomes para o posto.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.