Filiado ao PT vai integrar conselho da estatal

Eleito pelos funcionários da companhia, técnico em segurança do trabalho está há nove anos em refinaria na Bahia

ANTONIO PITA /RIO, O Estado de S.Paulo

29 Abril 2015 | 02h03

Apesar da estratégia do governo em indicar nomes técnicos validados pelo mercado, o conselho de administração da Petrobrás contará com um integrante filiado ao PT. Eleito pelos funcionários da estatal, Deyvid Bacelar é ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e completou a filiação ao partido no início do ano. Ele diz que sua a atuação será "independente" do partido, mas garante que vai defender que "o papel de responsabilidade social da Petrobrás seja maior que seus objetivos econômicos".

"Será uma vaga solitária, e isso é uma preocupação. Há um afastamento do governo, que deixa de indicar membros próprios para satisfazer ao mercado. Não sabemos o compromisso que eles terão com a Petrobrás", afirmou o conselheiro.

Bacelar, de 36 anos, é técnico em segurança do trabalho na Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia. Na Petrobrás há apenas nove anos, ele tomará posse como conselheiro na assembleia de acionistas marcada para hoje. Como acionista controlador, o governo indicou sete nomes, entre eles, o atual presidente da mineradora Vale, Murilo Ferreira, indicado para a presidência do conselho. Outras duas vagas serão disputadas por indicados dos acionistas minoritários - como fundos estrangeiros, associação de investidores e o Bradesco.

O temor do sindicalista com a composição do conselho é a "pressão de multinacionais" por mudanças na lei de conteúdo local e no marco regulatório do pré-sal, que determina à estatal obrigatoriedade na operação dos blocos e de participação de 30% nos consórcios. "Conversamos com senadores do partido para garantir oposição ao projeto que tramita para alterar a legislação. Não há contradição. Teremos independência e autonomia em relação ao governo", disse o futuro conselheiro.

A primeira reunião dos novos integrantes será no dia 15, para a apreciação das contas do primeiro trimestre do ano. Na avaliação de Bacelar, o último balanço foi "ilógico". "A baixa de R$ 6 bilhões de corrupção foi além da conta. A Lava Jato não teve impacto tão grande. Não houve comprovação se teve corrupção em todos os contratos com as 27 empresas", avalia.

O balanço foi aprovado apesar de "divergências conceituais". Representantes dos minoritários, os conselheiros José Monforte e Mauro Cunha questionaram a dificuldade de acessar documentos previamente. Cunha, que já integrou o comitê de auditoria da estatal, questionou os valores apresentados nas perdas por corrupção. "O que se vê é uma escolha de parâmetros que têm como resultado diminuir o ajuste requerido às demonstrações financeiras."

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