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Filial brasileira da Renault se torna a 2ª maior do grupo

Após anos de tropeços no País, montadora avança no mercado: entre as maiores, foi a que mais ganhou participação este ano

CLEIDE SILVA, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2011 | 03h04

Em 2006, quando a Renault encerrou o ano com menos de 3% de participação nas vendas nacionais de automóveis e comerciais leves, houve apostas no mercado de que a montadora poderia fechar as portas no País. A matriz francesa não estava satisfeita com os resultados da subsidiária local, cuja fábrica foi inaugurada em dezembro de 1998.

Passados apenas cinco anos, a filial brasileira já é a segunda maior operação do grupo, com vendas de 172,7 mil veículos até novembro, atrás apenas da matriz francesa, com 633,7 mil unidades. Nos últimos dois anos, a Renault do Brasil desbancou a Alemanha (com vendas de 168 mil veículos até novembro neste ano), a Coreia e a Itália.

A montadora também conquistou pontos no mercado brasileiro. Foi a marca que mais ganhou participação nas vendas de automóveis e comerciais leves este ano (0,79 ponto porcentual). As principais concorrentes (Ford, GM, Volkswagen e Fiat) perderam, respectivamente, 0,89, 1,31, 0,54 e 0,82.

A Renault deve responder este ano por 5,6% das vendas, mantendo-se como a quinta maior do País. "Nossas vendas aumentaram 21% em relação a 2010, cinco vezes mais do que o crescimento do mercado total", diz o presidente da empresa no País, Jean-Michel Jalinier, que deixa o cargo em janeiro para assumir na França a divisão do grupo na Fórmula 1.

Seu substituto, o também francês Olivier Murguet, terá entre suas metas para 2012 a de elevar a participação da marca a 6,5%, aproximando-se ainda mais da quarta colocada, a Ford, que tem hoje pouco mais de 9%.

A briga pela quarta posição será acirrada. O Duster, utilitário-esportivo lançado pela Renault em outubro, já liderou o segmento no mês passado, com 3.877 unidades vendidas, desbancando o longo reinado do Ford EcoSport. A Ford, porém, vai lançar a versão do jipinho totalmente renovada no próximo ano.

O novo EcoSport foi desenvolvido no Brasil e terá uma apresentação prévia em janeiro, num evento em Brasília. O lançamento oficial e as vendas estão previstas apenas para o segundo semestre. É um dos carros mundiais que a Ford promete para o mercado brasileiro. Também será produzido em mais quatro países, sendo um deles a Índia.

Três turnos. Jalinier espera encerrar 2011 com quase 200 mil carros vendidos no País, chegando a 230 mil no próximo ano. A fábrica em São José dos Pinhais (PR), que em 2006 operava com 65% de ociosidade, atualmente trabalha em três turnos e está sendo preparada para ampliar a capacidade em 100 mil unidades até 2015. A unidade de motores, que exporta 30% da produção, opera em quatro turnos (um nos finais de semana).

"Vamos produzir um carro por minuto", diz Jalinier. Para isso, serão contratados mil funcionários, além de mil efetivados neste ano. Hoje, a fábrica emprega 6,2 mil pessoas.

O projeto de ampliação faz parte do investimento de R$ 1,5 bilhão para o período 2010-2015, que inclui ainda sete lançamentos no próximo ano, a maioria versões de modelos já em linha. O montante virá de recursos locais e empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Neste ano, a Renault lançou 12 produtos, dos quais três totalmente novos: o Duster, o sedã Fluence (feito na Argentina) e o novo compacto Sandero. O grupo também trará ao Brasil em 2012 os elétricos Fluence, Kangoo e Twizzy, mas apenas para testes.

Para o diretor da consultoria ADK, Paulo Roberto Garbossa, a Renault tem conquistado espaço porque foi uma das marcas mais agressivas nos últimos anos. "Levou alguns anos para a empresa descobrir que o consumidor brasileiro é diferente do europeu e do asiático, mas hoje ela conhece melhor o mercado local e está acertando a mão."

O próprio Murguet admite que levou dez anos para a empresa conhecer o Brasil. "Houve muitos tropeços até nos transformarmos em uma empresa brasileira."

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