Filtro solar ganha status de remédio

O filtro solar, considerado cosmético pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ganha status de medicamento a partir de hoje na rede estadual de saúde de São Paulo. Uma versão similar dos protetores de marca, desenvolvida pela Fundação do Remédio Popular (Furp), será distribuída para pacientes de câncer de pele e portadores de lúpus eritematoso, uma doença grave da pele que pode também atacar órgãos internos. "Sabemos muito bem que para essas pessoas o filtro solar não é um cosmético, é um medicamento essencial", disse a secretária-executiva da Comissão de Medicamentos Básicos da Secretaria de Estado da Saúde, Harue Ohashi. O atendimento, de início, será prioritário para os cerca de 6 mil pacientes de lúpus cadastrados nas 92 unidades de saúde do Estado. Ainda nos próximos meses, será extendido aos pacientes de câncer de pele e pessoas consideradas no grupo de risco para a doença - com pele muito clara, sardas ou histórico de câncer na família. Em todos os casos, o medicamento só será entregue com receita médica. "Vamos atingir exatamente aquela parcela da população que não tem acesso ao filtro solar", disse o dermatologista Marcus Maia, coordenador do Programa Nacional de Controle do Câncer de Pele, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). A iniciativa é fruto de uma parceria entre a SBD, a Secretaria da Saúde, Furp e Associação Brasileira dos Pacientes com Lúpus (Abrales). "Isso significa muito para nós", disse a presidente da Abrales, Sonia Maria Xavier. "Temos que usar o filtro solar todos os dias, religiosamente. E a maioria dos pacientes é carente." O protetor produzido pela Furp, que funciona como um laboratório estatal, tem fator de proteção solar 12. O primeiro lote, de 20 mil frascos, já está sendo distribuído para os postos. Cada frasco, de 120 mililitros, vai custar R$ 5,32 ao Estado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.