Fim da CPMF encontra Bolsa com liquidez de 95

A isenção da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) para operações com ações chega em um momento de baixíssimo giro no mercado. Um índice calculado pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) mostra que a liquidez voltou ao nível de 1995, quase um terço da verificada no pico de 1997.Os efeitos do fim do imposto só devem ser sentidos paulatinamente, segundo analistas. O índice de liquidez ficou em 0,30 em junho, o que significa que a Bovespa movimentou no período o correspondente a apenas 30% do seu valor de mercado. Esse índice é obtido dividindo-se o volume anualizado do mês pela capitalização de mercado de todas as empresas listadas. Com essa marca, a Bovespa voltou ao nível de liquidez de dezembro de 1995.O melhor momento do mercado foi em outubro de 1997, quando o índice atingiu 0,93, ou seja, o movimento representou 93% do valor de capitalização da Bolsa. O pior índice foi de 0,11 - de janeiro de 1991 - primeiro mês da série histórica do cálculo.O diretor da Planner Corretora, Luiz Antônio Vaz das Neves, disse que os negócios cresceram no meio da década passada estimulados pela privatização do Sistema Telebrás. Depois, vieram as sucessivas crises, como da Ásia, da desvalorização do real e da Argentina, que contribuíram para a retração do mercado. "O índice de liquidez mostra que tivemos um retrocesso imenso, de quase oito anos", disse o presidente da Associação Nacional das Corretoras de Valores, Câmbio e Mercadorias (Ancor), Paulino Abreu Sampaio.Para ele, o declínio das operações deve-se à "exportação do mercado". "As nossas maiores empresas e as mais líquidas foram para Nova York." Devido ao desânimo atual, a expectativa é de que a isenção da CPMF não traga benefícios imediatos.O estrategista de renda variável do JP Morgan, Pedro Martins, acredita que, do ponto de vista estrutural, o fim do imposto é uma notícia muito positiva para a Bolsa. "No longo prazo, haverá um benefício econômico, com a maior competitividade da Bolsa."Ele destacou, porém, que, considerando-se o cenário de instabilidade deste ano, o efeito é secundário. "A Bovespa está sensível às medidas de política fiscal, monetária e cambial do governo, à disputa eleitoral e aos problemas no exterior, que têm impacto direto no balanço de pagamentos."O presidente da unidade paulista da Associação Brasileira dos Analistas do Mercado de Capitais (Abamec), Francisco Petros, lembrou que há um grande desinteresse de investidores nacionais e estrangeiros pelo País. "A Bolsa se livrou de uma vilã, mas ainda tem de enfrentar uma guerra."Para o diretor da Planner, quem espera um efeito rápido no volume de transações pode se frustrar. Ele acredita que a melhora deverá ser lenta e sentida mais no segmento de pessoas físicas, que ainda têm pouca participação no volume. "É importante alargar a base de pequenos clientes."

Agencia Estado,

15 de julho de 2002 | 12h43

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