Fim da CPMF na Bolsa não muda tendência e fluxo

A isenção de cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF) nos negócios com ações deverá entrar em vigor apenas na segunda quinzena de abril. Mas a aprovação da proposta em primeiro turno pela Câmara, na semana passada, foi suficiente para fortalecer o otimismo com o mercado de ações. Em tese, a expectativa é que a extinção do imposto leve a uma expansão dos negócios com ações na bolsa.O investimento em fundos de ações também será beneficiado, porque neles deixa de ser cobrada a contribuição de 0,38% sobre o valor que sai da conta corrente e entra no fundo, segundo o diretor de Renda Variável da Unibanco Asset Management (UAM), Jorge Simino. Mas ele não acredita que a novidade, aguardada há bastante tempo, venha a influenciar positivamente o rumo do mercado. "A tendência da bolsa não se altera com a isenção do tributo."Para quem negocia diretamente as ações - por meio de home-brokers ou corretoras, por exemplo - a mudança é mais favorável. O diretor de Pesquisas da Planner Corretora, Luiz Antonio Vaz das Neves, explica que a vantagem aumenta conforme o número de negócios fechados. Isso porque a cobrança da CPMF é feita sobre cada compra de ação ou contrato na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).Neves afirma, porém, que a alteração é mais importante do ponto de vista psicológico do que efetivo. "Com o fim do tributo, as taxas de corretagem cobradas nos negócios deverão aumentar e os valores da operação não serão tão diferentes dos atuais."Embora o giro de papéis tenda a aumentar, Neves acredita que o fluxo de novos recursos ao pregão da bolsa não deverá elevar-se significativamente. A menos, comenta, que o fim da CPMF sobre as ações atraia de volta recursos que abandonaram o mercado doméstico rumo às bolsas dos Estados Unidos.

Agencia Estado,

04 de março de 2002 | 15h01

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.