Fim da pandemia e o que veio para ficar
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Fim da pandemia e o que veio para ficar

Um novo mundo nos espera com o fim da pandemia, mas, como algumas mudanças serão aplicadas de maneira desigual, a desigualdade no Brasil e no mundo tenderá a aumentar

Celso Ming*, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2021 | 20h02

Agora que mais da metade dos brasileiros está plenamente vacinada, o fim da pandemia já aparece no fim do túnel. Independentemente das confusões no combate à covid-19, da política e da área econômica, muitas coisas mudaram ou pegaram carona na pandemia para mudar.

O trabalho em casa é uma dessas coisas. Do ponto de vista da empresa, a redução de custos na área dos escritórios foi colossal. Do ponto de vista do empregado, ficou aquela chateação de ter de permanecer indefinidamente engaiolado e das restrições de contato com a equipe e com a chefia. Mas o trabalho em casa flexibilizou os horários, evitou cansativos percursos para o trabalho e de volta para casa. É provável que o trabalho não volte ao que era e que o novo regime adotado por parte das empresa seja o modelo híbrido, uma mistura entre o presencial e o home office.

Pesquisa recente organizada pela consultoria de recursos humanos Adecco revelou que 40% dos entrevistados preferem o sistema híbrido e 33% o home office. O regime presencial é preferência de apenas 16% dos profissionais ouvidos. 

A retomada da atividade está aumentando as contratações de mão de obra. Mas o emprego deve mudar de patamar. As empresas aprenderam a operar com mais tecnologia e menos pessoal.

No mundo inteiro, a suspensão das restrições aumentou a produção e o consumo. E o que se viu foi forte escassez de matérias-primas, energia, semicondutores e contêineres. A pandemia havia reduzido a navegação, porque a tripulação dos navios teve de se resguardar. O sistema dos fluxos de transporte e de distribuição ficou desarticulado. E desorganizou-se o regime just in time, pelo qual os estoques haviam sido reduzidos ao mínimo, insumos e componentes chegavam apenas na hora da montagem. A disparada dos preços do petróleo e a inflação dos alimentos têm a ver com isso. Aos poucos, a organização anterior deverá ser restabelecida.

Mas não totalmente. É possível que as empresas tenham aprendido a não correr mais o risco do desabastecimento e que voltem a fazer algum estoque. O resultado será o aumento dos custos e inflação.

O final da pandemia não vem sozinho. Estão em curso outras mudanças. Já vinha acontecendo uma revolução nas relações de trabalho, em direção às atividades autônomas regidas por aplicativos. A população está envelhecendo, o custo da saúde está à beira do insuportável e o engajamento dos governos, principalmente o dos Estados Unidos, em direção à energia sustentável vai mudar muita coisa. E há as novidades do open banking, da indústria 4.0, a conexão 5G, as cidades inteligentes. Como esse mundo novo será aplicado de maneira desigual, a desigualdade aqui e no mundo também tenderá a aumentar.

A covid-19 continuará entre nós, assim como outros vírus. Mas, felizmente, o sacrifício de vidas tende a ficar cada vez mais baixo.

*CELSO MING É COMENTARISTA DE ECONOMIA

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