Fim da recessão divide opiniões no Fórum Econômico

O fim da recessão nos Estados Unidos e a velocidade de recuperação da economia mundial dividiram as opiniões dos economistas que participaram do primeiro dia de debates no Fórum Econômico Mundial, que começou hoje em Nova York. "A recessão acabou nos Estados Unidos, que deverá apresentar no quarto trimestre deste ano um crescimento anualizado por volta de 2,6%", afirmou Gail Fosler, economista-chefe do Conference Board, instituição que elabora e divulga há 100 anos o índice de confiança do consumidor norte-americano. Já o economista-chefe do Morgan Stanley Dean Witter, Stephen Roach, foi enfático ao discordar. "Não só a recessão ainda não acabou, como por volta da primavera (segundo trimestre) deveremos observar uma nova queda no nível de atividade", assegurou. Ele considera que os fundamentos da economia dos Estados Unidos ainda estão ruins, especialmente no tocante ao elevado nível de endividamento, desequílibrio de conta corrente e baixo nível de poupança. "O que deixa a economia ainda vulnerável a uma nova retração", acrescentou. De opinião oposta, Fosler acredita que a recessão iniciada oficialmente em março de 2001 foi a mais modesta observada até hoje, tomando-se vários indicadores, como os de atividade, calculados pelo Conference Board. Ela observou ainda que da mesma forma que a recessão foi provocada pelas empresas, a recuperação que será observada, neste ano, será encabeçada pelos investimentos e atividades das empresas norte-americanas. "A participação do consumo na recuperação será observada apenas a partir de 2003", disse. Também é para 2003 que Fosler prevê que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos irá atingir taxas mais altas. A falta de consenso sobre a recuperação da economia mundial também apareceu nas discussões de empresários presentes na abertura do Fórum Econômico Mundial. O presidente da britânica Unilever, Niall FitzGerald, acredita que o 2002 será extremamente difícil. "Na minha opinião, não é prudente apostar numa forte recuperação da economia mundial ou norte-americana neste ano, do tipo de recuperação em V (forte contração seguida de forte recuperação)", disse FitzGerald. Em contrapartida, o presidente da Merrill Lynch International, Jacob Frenkel, acredita que há sinais que mostram que a recessão da economia norte-americana está terminando. "Os últimos indicadores mostram sólidos fundamentos da economia norte-americana", disse Frenkel. Ele acredita que, no segundo semestre deste ano, a economia oos EUA irá apresentar um forte crescimento. "No quarto trimestre, o PIB dos Estados Unidos deverá crescer acima de 4% anualizados", acrescentou. No entanto, Frenkel admite que o resto do mundo terá menos flexibilidade para retomar o crescimento. "A Europa está a caminho da retomada do crescimento, mas num ritmo menor do que o que será observado nos Estados Unidos", observou. "A economia norte-americana ainda é a locomotiva do mundo, mas fazendo uma comparação com a música de Wagner (compositor alemão), parece melhor do que soa", afirmou.

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