Fim da recessão europeia é recebido com cautela pelos analistas

Economistas foram conservadores nas previsões e dizem que a economia da região pode voltar a desacelerar

Fernando Nakagawa, correspondente da Agência Estado,

14 de agosto de 2013 | 17h36

LONDRES  - A reação da economia da zona do euro foi recebida de maneira positiva, mas com cautela pelo mercado financeiro. Apesar de o crescimento de 0,3% no segundo trimestre na comparação com os três primeiros meses do ano ter surpreendido analistas, que previam 0,2%, economistas são comedidos: notam que há muita diferença entre países que crescem e outros que ainda estão em recessão e, por isso, previsões para os próximos meses são conservadoras. Muitos dizem que é possível que a economia desacelere no terceiro trimestre.

Após seis trimestres em contração, no mais longo período recessivo da história moderna, a economia da Europa finalmente voltou a respirar e cresceu no segundo trimestre de 2013. Números detalhados serão conhecidos apenas em setembro, mas economistas dizem que dados já conhecidos sinalizam que o ritmo acima do previsto está relacionado a uma reação mais intensa da demanda interna, especialmente no consumo na Alemanha e França.

"O fim da recessão na zona do euro veio um trimestre mais cedo do que esperávamos. Essa pequena surpresa é em grande parte resultado do desempenho melhor que o esperado na França. Com base nos dados nacionais já disponíveis, parece que a demanda interna, especialmente o consumo, cresceu um pouco além do esperado. Sobre o investimento, é provável que tenha registrado nova contração", diz a economista do Morgan Stanley Europa, Elga Bartsch.

A notícia, no entanto, não é comemorada intensamente. Economistas mantêm o discurso cauteloso por vários motivos. O primeiro deles é que o motor da zona do euro ganha velocidade - a Alemanha cresceu 0,7% ante o trimestre anterior e França avançou 0,5% -, mas economias importantes continuam no vermelho. Itália e Holanda, por exemplo, registraram contração do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,2% ante os três primeiros meses do ano. Já a Espanha registrou queda de 0,1%. É preciso reconhecer, porém, que o ritmo de contração desses países é menos intenso que o visto no primeiro trimestre.

A diferença entre as economias da região é um dos pontos de atenção destacados pelo comissário europeu para assuntos econômicos e monetários, Olli Rehn. "Os dados são bem-vindos, mas não há espaço para qualquer complacência. Espero que não haja declarações prematuras de autocongratulação sugerindo que 'a crise acabou'", alertou o comissário em seu blog na página da União Europeia na internet. Rehn diz que o crescimento ainda é "frágil" e as diferentes velocidades das economias comprovam isso. Além disso, destacou que o desemprego continua elevado em muitos países e há reformas a executar. "Portanto, há ainda um longo caminho a percorrer", disse.

Diante de pontos a resolver e com uma confiança ainda em recuperação, economistas dizem que não será surpresa se o terceiro trimestre registrar desaceleração da atividade econômica. "Como o PIB do segundo trimestre foi apoiado por fatores específicos, o número talvez exagere um pouco o ritmo dessa melhora da atividade. Portanto, esperamos que o ritmo da economia abrande um pouco no verão (do Hemisfério Norte, que termina em setembro)", diz o economista do banco italiano UniCredit, Marco Valli.

A economista do Morgan Stanley Europa, Elga Bartsch, concorda. "Prevemos uma moderação no crescimento do PIB no terceiro trimestre influenciada pelos países centrais de grande porte. Ao mesmo tempo, é provável que a periferia da Europa continue a se estabilizar e esperamos que essas economias voltem a crescer moderadamente nos próximos trimestres. Nossa bússola para o ciclo de negócios ainda aponta para o 'neutro' e qualquer resultado diferente será uma surpresa", diz a economista do Morgan Stanley Europa.

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