Fim das linhas de crédito não deve impactar na balança, diz Secex

A diretora do Departamento de Planejamento da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), Lília Miranda, acredita que o esgotamento das linhas de crédito para exportações no mercado nos últimos meses não deve impactar no resultado da balança comercial este ano. Em entrevista à Agência Estado ela explicou que as empresas usaram recursos próprios para realizarem as exportações porque o câmbio estava favorecendo as vendas externas. "As exportações não caíram e mesmo a contratação de câmbio (ACC), se você olhar os números do Banco Central, não caiu tanto", argumentou. Ela não compartilha da preocupação dos técnicos do Ministério da Fazenda, que avaliam que o reflexo da falta de recursos para financiamento se dará no último trimestre do ano. A Secex está reavaliando a meta de superávit comercial para este ano. Oficialmente, a previsão anunciada pelo ministro Sergio Amaral é de US$ 7 bilhões. Os técnicos do Ministério evitam falar em números mas admitem que o saldo este ano deve girar em torno de US$ 8 bilhões. O saldo deve ser sustentado pelo aumento das exportações, segundo uma fonte do Ministério. A previsão de importação para este ano, de US$ 49 bilhões, não deve sofrer alteração significativa. Além do câmbio alto e do desaquecimento da demanda interna, que inibem as compras externas, técnicos do governo acreditam que as empresas devem ser mais conservadoras este ano em função das eleições. A Secex aguarda o desempenho de setembro para concluir as análises. GuerraO Ministério da Fazenda também já prevê informalmente um superávit de US$ 8 bilhões. No mercado, este número chega a US$ 8,8 bilhões. Para a diretora da Secex, o único imponderável é o comportamento dos preços do petróleo no mercado internacional, que começam a subir com a possibilidade de os Estados Unidos atacarem o Iraque. No entanto, ela acredita que o aumento da produção nacional pode compensar este efeito na balança comercial. "Houve um aumento da produção a tal ponto que estamos exportando", disse. Lília acredita as exportações podem diminuir para abastecer o mercado interno. "Você exporta menos mas também importa menos. Uma coisa pode compensar a outra no resultado da balança", avalia. No entanto, o governo ainda não tem nenhum dado oficial sobre o impacto de uma eventual guerra. A Petrobrás está realizando um estudo. As importações brasileiras de petróleo, ressalta Lília, são principalmente da África e não do Oriente Médio. Menos de 10% das compras nacionais vem do Iraque, que é o quinto exportador para o Brasil. Até agosto, o Brasil comprou US$ 1,922 bilhão, um pouco menos que os US$ 2,073 bilhões importados nos oito primeiros meses de 2001.

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