Divulgação/Embraer
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Fim de acordo entre Boeing e Embraer já era esperado no governo

Na ala militar, o negócio não era unanimidade e, por esse motivo, o desmanche do acerto foi até comemorado por alguns integrantes da corporação

Tânia Monteiro e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2020 | 16h35

BRASÍLIA – O rompimento do acordo de compra da área de aviação comercial da Embraer pela Boeing foi visto dentro do governo brasileiro como um desfecho já esperado diante da crise enfrentada desde antes pela empresa americana e pelo baque que a pandemia do novo coronavírus provocou no setor aéreo.

Na ala militar, o negócio não era unanimidade e, por esse motivo, o desmanche do acerto não foi lamentado. Pelo contrário, foi até comemorado por alguns integrantes da corporação.

A área econômica, que tem apostado em privatizações e concessões para alavancar o crescimento da economia após a crise do novo coronavírus, avalia que a desistência não teve relação com uma percepção de risco em relação ao Brasil. Segundo um integrante da equipe econômica, se fosse um negócio envolvendo aéreas dos EUA e da Europa, o desfecho seria o mesmo. “Não está relacionado a nada específico do Brasil”, disse essa fonte.

Os defensores do Plano Pró-Brasil de investimentos públicos em infraestrutura, por sua vez, já usam o rompimento do acordo como munição para a estratégia de defesa do programa. Para essa ala, no pós-crise o setor privado estará quebrado ou endividado e avesso ao risco, sem entrar em projetos de infraestrutura, o que justificaria o aumento de gastos da União. A equipe econômica resiste a essa alternativa e vê o desmanche do negócio entre Boeing e Embraer como decorrente de uma dificuldade setorial. No Brasil, o próprio governo costura um socorro às aéreas por meio de um consórcio de bancos públicos e privados.

Resistências à venda

Segundo militares ouvidos pela reportagem, sempre houve resistência de setores à venda do braço comercial da Embraer porque, segundo essa ala contrária à operação, a empresa perderia o “tripé de ganhar dinheiro” que sustenta o braço militar – que tem pouca demanda, mas significa “independência estratégica” no desenvolvimento de tecnologia que serve de base, inclusive, para a operação comercial.

Agora, o entendimento é que o momento econômico atual é muito diferente do observado em 2018, quando o acordo foi selado. A consequência é que de lá para cá já houve queda expressiva no valor das empresas. Além disso, alguns integrantes do governo, segundo fontes ouvidas pelo Estado, acabaram apoiando o negócio porque acreditaram que seria uma joint venture, em vez de uma venda – como foi acertado.

Por isso, o rompimento do acordo neste momento não tem sido visto com maus olhos. Segundo apurou o Estado, fontes da ala militar admitem que a Embraer poderá ter de ir atrás de parceiros para conseguir se manter, mas ao mesmo tempo a avaliação é que “o momento é de crise para todos” e que a empresa, passada a fase mais aguda de dificuldades, seguirá competitiva para vender suas aeronaves no mercado internacional.

Os militares também comemoraram a manutenção de um acordo para vendas do cargueiro militar KC-390 Millenium, o maior avião já desenvolvido no Brasil e cujo projeto foi recém-concluído. Embora a suspensão do contrato tenha significado o cancelamento da criação de uma joint venture para a comercialização dessa aeronave, o acordo de vendas foi mantido.

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