Marcos Santos|USP Imagens
Marcos Santos|USP Imagens

Fim de benefício fiscal para empresas vai aprofundar recessão, diz especialista

Para Raul Velloso, elevação da alíquota do IOF para operações de crédito em cooperativas também deve contribuir para agravar crise econômica

André Ítalo Rocha, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2017 | 21h28

BRASÍLIA - A reoneração da folha de pagamento para diversos setores antes beneficiados e a incidência do IOF sobre operações de cooperativas de crédito, duas das medidas anunciadas pelo governo para aumentar a receita, vão aprofundar a recessão econômica vivida pelo Brasil, avalia o economista Raul Velloso, especialista em contas públicas. "E toda vez que você acentua a recessão, gera desemprego", disse.

Para o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, as medidas se justificam porque a prioridade do governo é cumprir a meta fiscal de 2017, de déficit de R$ 139 bilhões. Mas para Velloso, a melhor alternativa seria elevar o déficit da meta, para evitar as medidas. "O governo vai dizer que o cumprimento da meta gera confiança e o setor privado vai investir mais adiante, mas o que determina a confiança hoje é a reforma da Previdência, não um ajuste na meta nos primeiros meses do ano", afirmou o economista. "Não há garantia de que vão investir no País só porque a meta foi cumprida, isso não quer dizer muita coisa".

Além disso, para o especialista em contas públicas, as medidas anunciadas hoje mostram que a PEC do teto dos gastos não servirá para controlar as contas no curto prazo, mas somente no longo prazo, uma vez que o contingenciamento anunciado, se cumprido, resultará em um total de gastos públicos, no fim de 2017, inferior ao montante do ano passado mais a inflação. "O governo gastou capital político para aprovar uma PEC que não será aproveitada pela atual gestão. É muita bala para pouco efeito", afirmou.

 

 

Velloso declarou ainda que os cortes de gasto anunciados pelo governo devem resultar em uma forte do investimento. "Isso reduz a demanda agregada da economia", afirmou o economista. "Daqui a pouco não vai haver mais investimento", acrescentando, citando o corte de R$ 10,5 bilhões nos recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Sobre a escolha de apenas quatro setores que continuarão com o benefício da desoneração da folha (transporte rodoviário coletivo de passageiros; transporte metroviário e ferroviário; construção civil e obras; comunicação) Velloso disse que provavelmente o critério se deu pela pressão política destes. "É onde a resistência se fez maior", afirmou. Meirelles argumentou que estes setores foram escolhidos porque foram os únicos em que a desoneração apresentou efeito positivo. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.