Fim de incentivo já leva fábrica a dar férias

Produtores de linha branca sentem a queda nas vendas e empresas concedem férias coletivas para os empregados para reduzir a produção

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2010 | 00h00

A queda de até 20% nas vendas no varejo de fogões, geladeiras e máquinas de lavar neste mês, provocada pela volta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), já faz indústrias darem férias coletivas para ajustar os estoques. Sindicatos de trabalhadores temem as paralisações.

Desde segunda-feira, 1.300 trabalhadores da linha de fogões da unidade da Mabe em Campinas (SP) estão de férias coletivas por 20 dias, informa o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Campinas e Região, Jair Santos. Ele conta que a linha de produção de fogões da fábrica da empresa, que fica em Hortolândia (SP), já programou férias coletivas, também de 20 dias a partir de 21 de junho, para cerca de 480 trabalhadores.

A direção da Mabe, dona das marcas GE, Dako e Mabe, confirma as férias coletivas da unidade de Campinas e informa que "há possibilidade" de paralisação na produção de Hortolândia numa data a ser definida oportunamente. Segundo a empresa, as férias coletivas são necessárias para alinhar os estoques que aumentaram em razão da queda nas vendas provocada pela volta da cobrança integral do IPI.

Desde abril, os trabalhadores da Latina, que produz lavadoras semiautomáticas, os tanquinhos, em São Carlos (SP), deixaram de fazer hora extra e de trabalhar aos sábados. Segundo o presidente da empresa, Valdemir Dantas, se a programação de vendas ficar abaixo das metas, ele considera a possibilidade de dar férias coletivas a 110 trabalhadores da linha de produção de lavadoras a partir da última semana de junho. Neste mês, por exemplo, as vendas de máquinas de lavar estão 3% abaixo das registradas em igual período de 2009. De janeiro a maio, o acréscimo foi de 5% na comparação anual. "O gato subiu na escada", compara o empresário.

A redução no ritmo de produção existe, porém não chega a ser explícita em outras indústrias. Segundo o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Limeira, Rio Claro e região, Francisco Paulo Costa, a unidade da Whirlpool de Rio Claro (SP), onde são fabricados fogões, geladeiras e lavadoras, vai liberar os funcionários nos horários de jogos do Brasil na Copa do Mundo. A novidade, diz ele, é que os trabalhadores não terão de "pagar o dia", como ocorreu em outras Copas. De acordo com informações dos trabalhadores da comissão de fábrica da empresa junto ao sindicato, a unidade já registra formação de estoques, conta Costa.

A fábrica de refrigeradores da Electrolux de Curitiba (PR) vai dar 10 dias de férias coletivas em julho, segundo o sindicato local (Seletroar), que considera o procedimento normal.

Mas o presidente do Sindicato das Indústrias de Refrigeração de Joinville (SC), Rolf Decker, está preocupado. "Temos reunião marcada na semana que vem com a Whirlpool. Há o temor de que ocorram paradas a partir da segunda quinzena de junho."

Efeito dominó

20%

foi a queda de vendas da linha branca com o fim do IPI reduzido

1.300

é o número de trabalhadores em férias coletivas por 20 dias na unidade da Mabe em Campinas

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