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Fim do afrouxamento?

No dia 14, o Fed (o banco central dos Estados Unidos) avisou que manteria o programa de recompra de títulos do Tesouro americano (T-Bonds), de US$ 600 bilhões. O aviso foi feito no comunicado divulgado logo após a reunião do Fomc (o Copom deles), com o objetivo de reafirmar a decisão tomada em novembro e, assim, defendê-la das fortes críticas. Mas essa determinação pode estar mudando, como quarta-feira adiantou o presidente do Fed do Estado da Filadélfia, Charles Plosser.

CELSO MING, O Estado de S.Paulo

25 de dezembro de 2010 | 00h00

O Fed já anunciou este ano duas operações desse tipo. Em junho, avisou que reaplicaria em T-Bonds os recursos que recebesse do resgate das dívidas do pacote de US$ 2 trilhões em ativos adquirido ao longo da crise. E, em outubro, comunicou que recompraria outros US$ 600 bilhões até junho de 2011 (US$ 75 bilhões por mês).

Essa aquisição de T-Bonds no mercado tem o objetivo de derrubar os juros de longo prazo, cuja formação é definida pelo rendimento (yield) proporcionado no mercado secundário. A ideia é reativar, com juros mais baixos, tanto o mercado de hipotecas como os investimentos e, assim, estimular a criação de empregos.

É fácil entender como os juros dos T-Bonds devem cair. Se cresce a demanda por títulos, o preço deles subirá, digamos, de US$ 100 para US$ 150, por efeito da lei da oferta e procura. Nessas condições, os juros previstos no contrato da emissão, suponhamos que sejam de 3% ao ano, ficam mais baixos em relação ao capital necessário para comprá-los: se US$ 100 rendem 3% ao ano, pagam na verdade US$ 3,00; se US$ 120 rendem 3%, pagam US$ 2,50. Ou seja, o yield fica mais baixo.

Essa recompra de títulos, conhecida pela expressão "afrouxamento quantitativo" (quantitative easing), vem sendo defendida pelo presidente do Fed, Ben Bernanke (e por autoridades de outros bancos centrais), como sendo execução da política monetária por outros meios.

Mas há críticas de várias naturezas. Os países emergentes, especialmente China e Brasil, denunciam essa iniciativa como despejo de dinheiro na economia, cuja consequência é a desvalorização do dólar. Como esses dólares acabam desembarcando nos mercados de câmbio, o resultado é também a valorização excessiva das moedas emergentes, o que tira competitividade dos seus produtos.

Os economistas ortodoxos afirmam que, na prática, essa recompra de títulos leva o Fed a financiar despesas públicas (as mesmas que foram cobertas pelo Tesouro com emissão dos títulos). E isso é o mesmo que dar ao banco central funções fiscais, exercidas com emissão de moeda.

Outro punhado de críticos vinha avisando que o objetivo básico das operações de afrouxamento quantitativo não estava sendo cumprido, uma vez que não havia nenhuma queda expressiva dos juros de longo prazo. Por isso, diziam, esse esforço não passava de operação enxuga-gelo.

Mas isso já não é tão verdade. Apesar da pequena baixa dos últimos dias, o rendimento dos T-Bonds estão, afinal, em recuperação (veja gráfico no Confira) e há indícios de que a economia dos Estados Unidos começa a reagir à estagnação.

Independentemente disso, o governo Obama já vinha fazendo o jogo oposto. Na medida em que concordou em manter os subsídios tributários - de US$ 850 bilhões por ano concedidos ainda no período Bush (filho) -, o déficit público tende a crescer e a necessidade de emissão de títulos, a aumentar, movimento que deverá puxar os juros para baixo.

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