TONY REIS/DIVULGAÇÃO/ESTADÃO CONTEÚDO
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Fim do horário de verão preocupa donos de bares e restaurantes

Comerciantes estimam queda de movimento de até 10% em relação ao ano passado; happy hour deve ser período mais prejudicado

Douglas Gavras, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2019 | 14h56

Com o fim do horário de verão, o setor de bares e restaurantes estima uma queda no movimento de até 10%, em relação ao mesmo período do ano passado. A mudança nos relógios teria ocorrido no último fim de semana, mas foi cancelada pelo governo.

No começo do ano, os comerciantes até tentaram alertar os parlamentares sobre o impacto negativo que a mudança no horário traria para o setor. É que os clientes tendem a ficar mais tempo nos estabelecimentos durante o verão. Além de a temperatura favorecer o aumento do consumo nos bares, com os dias mais longos, as pessoas se sentem mais seguras para ficar até mais tarde na rua.

"Há um impacto que não é pequeno e o fim do horário de verão vai acabar atrapalhando no faturamento, sim", diz o presidente da representação em São Paulo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-SP), Percival Maricato. "O comerciante já precisa se preocupar com impostos, taxas da prefeitura. Qualquer perda de movimento faz toda a diferença."

Ainda em abril, o presidente Jair Bolsonaro assinou o decreto que revogava o horário de verão, instituído pela primeira vez ainda no governo de Getúlio Vargas.

Segundo Bolsonaro, a medida foi baseada em estudos que analisaram a economia de energia no período e o impacto no relógio biológico da população. "Na questão de economia, o horário de pico era mais às 15h, então, não tinha mais razão (de manter o horário de verão), não economizava mais energia. Na área de saúde, mesmo sendo uma hora apenas, mexia com o relógio biológico das pessoas”, disse o presidente à época.

Para Tony Reis, gerente de um bar na zona sul de São Paulo, o impacto maior vai ser percebido pelos comerciantes que mais dependem do happy hour — aquele período do dia, depois do fim do expediente, em que os colegas de trabalho se reúnem nos bares para confraternizar.

"Quando as pessoas saem do trabalho e veem que ainda está claro, elas se empolgam e param no bar ou no restaurante, é um tipo de cliente importante para nós. O fim do horário de verão pegou todo mundo de surpresa. Aqui no bar, a gente espera uma queda de movimento de 15% nos fins de tarde. Acredito que o governo acabou olhando muito para o impacto no consumo de energia e menos para o comércio", diz.

Segundo Maricato, os donos dos estabelecimentos entendem que o governo precisa considerar os estudos de impacto na economia de energia elétrica. "Ainda assim, vamos manter a campanha que sempre fazemos a favor do happy hour."

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