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Fim do sinal analógico deixaria 15,1 milhões de lares brasileiros sem acesso à TV

Migração de sinal analógico para digital deve ser concluída no País em 2018; nas residências com televisão, 23,1% não tinham acesso à TV digital aberta, TV por assinatura nem antena parabólica

Daniela Amorim, O Estado de S. Paulo

06 de abril de 2016 | 10h05
Atualizado 06 de abril de 2016 | 15h09

RIO - O fim da transmissão do sinal analógico de televisão pode deixar 15,1 milhões de domicílios em todo o País sem acesso à programação televisiva. Esse é o total de residências permanentes que ainda não possuem antena parabólica, televisão por assinatura ou recepção do sinal da televisão digital aberta.

Os dados são do Suplemento de Tecnologias de Informação e Comunicação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2014, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)."Há 15 milhões de domicílios que não têm acesso ainda ao sinal digital. Então, se o sinal analógico fosse desligado agora, essas pessoas ficariam sem sinal de televisão", disse Helena Oliveira Monteiro, técnica da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Em todo o País, 65,1 milhões de domicílios particulares permanentes possuíam televisão em 2014, o equivalente a 97,1% dos 67 milhões de residências brasileiras. O total de casas com televisão representou um aumento de 2,9% em relação a 2013.

Entre as residências com televisão, 23,1% não tinham acesso à TV digital aberta, TV por assinatura nem antena parabólica. Ou seja, quase um quarto dos domicílios com televisão não teria mais acesso à programação caso fosse desligado o sinal analógico. Apesar do montante expressivo, a fatia que contava exclusivamente com TV analógica era 5,4 pontos porcentuais maior no ano anterior: 28,5% em 2013.

Cronograma. O Ministério das Comunicações publicou no início do ano um novo cronograma de transição do sinal de TV. A portaria nº 378 estabeleceu que Brasília seria a única capital que migraria totalmente para o sinal digital em 2016. No decorrer de 2017, todas as capitais da Região Sudeste (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Vitória), Goiânia, Salvador, Recife e Fortaleza já teriam o sinal analógico extinto, assim como outras cidades do estado de São Paulo e do Nordeste. Em 2018, a transição para o sinal de TV digital incluirá as capitais e principais cidades das Regiões Sul, Centro-Oeste e Norte, além de todo o interior dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. O ministério ainda publicará outras portarias com a relação dos demais municípios afetados pelo fim do sinal analógico.

Em 2014, o total de domicílios com televisão digital aberta alcançou 39,8% das residências com aparelho de TV, um aumento de 8,6 pontos porcentuais em relação ao ano anterior.  A TV por assinatura estava presente em 32,1% dos lares brasileiros, enquanto a antena parabólica atendia a 38,0%, majoritariamente na área rural.

"Quanto maior o rendimento domiciliar per capita do domicílio, maior a proporção de acesso ao sinal digital da TV aberta e maior o porcentual de acesso à TV por assinatura", disse Helena.

Na faixa de renda mais alta captada pela pesquisa, a que recebe mais de cinco salários mínimos per capita, 77,3% possuíam TV por assinatura e 74,6% tinham sinal da televisão digital aberta. Já a antena parabólica foi mais predominante nas classes de renda mais baixas: 52,2% dos domicílios com renda per capita até um quarto de salário mínimo tinha antena parabólica, contra uma fatia de 23,2% na faixa superior de renda, acima de cinco salários mínimos.

"Pode estar relacionado com o preço do serviço. A parabólica você compra e tem o serviço. A TV por assinatura exige um pagamento mensal. E a TV digital aberta necessita um aparelho mais moderno, com mais tecnologia", explicou Maria Lucia Vieira, gerente da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

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