Financeiras anistiarão inadimplentes

Financeiras e grandes magazines iniciam temporada de renegociação de dívidas em atraso para trazer o consumidor inadimplente de volta às compras e sustentar o movimento do comércio neste fim de ano. A corrida para fisgar o consumidor já começou. Nas próximas semanas, o Banco Cacique planeja iniciar uma campanha para facilitar a quitação dos débitos em atraso. O diretor da instituição, Wanderley Vettore, explica que, para facilitar a vida do consumidor inadimplente, é possível fazer um acordo que parcele o valor da dívida ou dar desconto.Já as Casas Bahia, a maior rede de eletrodomésticos do País, estão inovando na campanha de renegociação. Pela primeira vez na história da empresa, a opção foi por perdoar a dívida de clientes inadimplentes que deixaram de pagar os carnês entre 1995 e janeiro de 1997. A anistia representa assumir uma perda de R$ 250 milhões para a rede, já contabilizada nos seus balanços.A outra vantagem obtida pela empresa é trazer o consumidor de volta às compras. Com a anistia, o cliente inadimplente pode tirar o nome da lista dos devedores do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e iniciar um novo crediário. As vendas a prazo na rede Casas Bahia, assim como em outras redes de eletrodomésticos, são de importância vital. Neste caso, o crediário representa 90% do volume de negócios. Pesquisa realizada pela rede mostra que 77% dos clientes renovam o crediário na rede.Atualmente, a empresa tem 4,6 milhões de crediaristas. Esse número aumentou em um milhão no último ano, depois que a companhia praticamente cortou pela metade as taxas de juros, de 6,9% para 3% ao mês. Emprestar o nome é principal motivo para caloteO principal motivo apontado pelo consumidor inadimplente para não pagar as dívidas em dia ainda é emprestar o seu nome para que algum conhecido ou pessoa da família compre a prazo. Pesquisa realizada pelo Banco PanAmericano mostra que 23% dos entrevistados atribuem o atraso a esse fator. Em seguida, por ordem de importância, estão os problemas pessoais, desemprego e doenças. Até o ano passado, o desemprego era apontado como o segundo fator de calote e hoje está em terceiro lugar. Isso reflete uma melhoria na economia do País, que fez ampliar o número de postos de trabalho.

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