Financeiras antecipam renegociação de dívidas

O aumento da inadimplência do consumidor constatado no início deste ano pelas instituições financeiras levou a uma antecipação das campanhas de renegociação de dívidas do segundo para o primeiro semestre. Também deixou os bancos e as financeiras mais cautelosos na hora de aprovar novos empréstimos.

MÁRCIA DE CHIARA, Agencia Estado

27 de junho de 2011 | 09h47

"Nunca tínhamos feito campanha de renegociação de dívidas nesta época do ano", afirma Hilgo Gonçalves, executivo-chefe da Losango, promotora de vendas do HSBC. A empresa detém 23% do mercado de Crédito Direto ao Consumidor (CDC), está em 2.600 municípios e é uma espécie de termômetro do crédito a pessoa física no País.

No começo deste mês, a Losango iniciou uma campanha para acertar a vida financeira dos clientes com prestações em atraso. Normalmente esse tipo de ação é feita no fim do ano, quando os trabalhadores estão com dinheiro no bolso, porque recebem o 13º, e as lojas e os bancos querem desencadear uma nova rodada de vendas a prazo.

Mas a direção da Losango decidiu antecipar a campanha para junho porque constatou um aumento da inadimplência. Gonçalves conta que, em maio, o atraso acima de 90 dias atingiu 5,6% da carteira de créditos a receber. O indicador ficou 4,55% acima do registrado no mesmo período de 2010, puxado especialmente pelos financiamentos de eletroeletrônicos.

Ele explica que houve descasamento entre as receitas e as despesas do consumidor do último trimestre de 2010 para o primeiro trimestre deste ano e que esse descompasso avançou até maio por causa do aumento da inflação. Além disso, as medidas de aperto do crédito tomadas pelo Banco Central (BC) no fim de 2010 e a elevação da taxa de juros que ocorre desde janeiro contribuíram para piorar a situação.

Rigor

"Na virada de abril para maio, várias instituições financeiras se assustaram com o aumento da inadimplência e começaram a ficar mais seletivas na aprovação de novos financiamentos", conta Nicola Tingas, economista-chefe da Acrefi, que reúne as financeiras. Ele ressalta que o calote é maior no Norte do País, onde predominam os consumidores com menor poder aquisitivo e que foram, segundo França, da LCA, mais afetados pela inflação dos alimentos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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