Financeiras cobram juros menores

As financeiras começam a oferecer taxas de juros menores aos consumidores que pagam o crediário em dia para concorrer com os grandes bancos que têm maior poder de fogo para emprestar com encargos menores para os clientes.O Banco PanAmericano, por exemplo, está há um mês fazendo testes para oferecer taxas de juros menores aos bons clientes que usam a linha de crédito pessoal. "O bom pagador representa menor risco", diz o diretor-superintendente, Rafael Paladino. Ele explica que, baseado no histórico de pontualidade do consumidor, é possível reduzir em até cinco pontos porcentuais o piso da taxa de juros do crédito pessoal, de 8,5% para 3,5% ao mês. Em dois meses, a financeira pretende transformar o que hoje ainda é um teste numa operação normal."Queremos premiar o bom cliente", diz o diretor-superintendente do Banco Zogbi, Antonio Elias Zogbi Neto. A partir do ano que vem, a sua financeira vai lançar um cartão com crédito pré-aprovado e taxas diferenciadas para os clientes que pagam em dia. Segundo Zogbi, o consumidor pontual poderá obter taxas de juros até 30% menores do que o estipulado na tabela usada normalmente no mercado.Na avaliação do diretor do Banco Cacique, Wanderley Vettore, oferecer taxas de juros mais atraentes para o bom pagador é uma tendência das financeiras. Ele diz que, no crédito pessoal, a redução pode chegar a 0,5 porcentual na taxa de juros no Cacique quando o cliente contrata a segunda operação e tem um bom histórico de crédito.Financeiras buscam clientes fiéisAo lançar cartões com crédito pré-aprovado e taxas de juros mais baixas, as financeiras têm como um dos objetivos tornar o cliente fiel, garantindo a sua fatia de mercado na concorrência acirrada entre bancos e financeiras para emprestar dinheiro. "Queremos fidelizar o cliente", diz Zogbi.Paladino, do PanAmericano, ressalta que, além da fidelidade, ao ter taxas menores para uma seleta camada da clientela é possível competir com os grandes bancos de rede que têm maiores facilidades para obter recursos mais baratos para emprestar. Além disso, ressalta Paladino, essa é uma forma de ampliar a base de clientes da financeira, concentrada hoje nas camadas de menor renda.Mesmo com queda, juros continuarão salgadosMesmo com essa redução drástica, os juros para pessoa física continuam muito altos. Uma taxa de 3,5% ao mês equivale a 51,11% ao ano. Ou seja, se o consumidor tomar R$ 1000,00 emprestado para pagar em 12 meses, terá pagado a essa taxa, ao final do empréstimo, R$ 1241,81, em prestações de R$ 103,48.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.