Financeiras começam a alongar prazos

Com a melhoria do cenário econômico, as financeiras começam, aos poucos, a alongar prazos do crediário neste fim de ano. A constatação é do vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira. Essa avaliação é compartilhada pelo diretor-executivo da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), José Romélio Brasil Ribeiro, e pelo diretor-geral da financeira Exprinter, Leonardo Benvenuto. Segundo Oliveira, o movimento de alongamento tem impacto maior no aumento dos volumes financiados do que a queda nas taxas de juros. Na análise de Benvenuto, da Exprinter, a pressão por estender os prazos de pagamento vem do varejo. Ele conta que, na tentativa de ampliar o faturamento, os varejistas pressionam as financeiras por prazos maiores. Com isso, é possível aumentar o valor médio das vendas por meio de prazos maiores de financiamento, uma vez que os trabalhadores não têm obtido ganhos de renda nos últimos meses. "Alongar prazos é uma tendência", avalia o diretor da Exprinter. De toda forma, ele considera uma estratégia arriscada e diz que só vai adotá-la a partir do ano que vem, se o cenário favorável se consolidar. Nos financiamentos de veículos, por exemplo, o crédito de longo prazo está voltando, conta o diretor da Anef. No começo do ano, os prazos estavam em 36, 42 e até 60 meses. Com a crise energética a partir de junho, houve um recuo para 24 e 36 meses. "De três semanas para cá, com os mercados mais tranqüilos e a queda do dólar, os financiamentos voltaram para 48 meses", conta Ribeiro. Ele explica que esse alongamento foi possível porque as instituições financeiras conseguiram captar o dinheiro com prazos mais longos. JurosParalelamente ao alongamento, pesquisa da Anefac de outubro revela que desde março foi registrada redução generalizada, ainda que pequena, nos juros médios cobrados do consumidor nas seis linhas de financiamentos pesquisadas. Na média, o recuo foi de 0,12 ponto porcentual nos juros. A taxa média mensal estava em 8,11% em setembro e caiu para 7,99% em outubro. A maior queda ocorreu no juro do empréstimo pessoal concedido pelas financeiras, que estava em 12,01% em setembro e caiu para 11,53% no mês passado. Para Oliveira, da Anefac, essa queda resulta da concorrência entre as financeiras e mostra que essas instituições estão apostando na redução da taxa de juros básicos no curto prazo.

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