Financeiras devem aumentar taxa de juros

Financeiras planejam aumentar em até 0,7 ponto porcentual as taxas mensais do crediário para o consumidor a partir de segunda-feira. Essa alta é resultado da elevação de 16,75% para 18,25% ao ano da Selic, a taxa básica referencial de juros da economia, decidida ontem pelo governo.Os bancos das montadoras preparam-se para trabalhar com novas taxas já no fim de semana. O juro médio para o financiamento de automóveis - hoje em 2,26% ao mês - pode subir para 2,4%, segundo o presidente da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), Luiz Carlos Andrade Jr. Um financiamento de R$ 13 mil para a compra de um carro em 36 parcelas, por exemplo, cuja prestação hoje é de R$ 531,56, deve subir para R$ 543,36 - uma diferença de R$ 11,80 por mês. Ontem, grandes bancos comerciais ainda estavam avaliando as medidas e o mercado."Vamos elevar as taxas a partir de amanhã (hoje) ou da próxima semana", afirmou o diretor-geral da Servloj, Oswaldo de Freitas Queiróz. Os juros médios da financeira, que oscilam entre 6,5% e 7,5% ao mês, passarão a variar entre 7% e 8%. O reajuste da taxa ao consumidor supera com folga o aumento dos juros básicos de 1,5 ponto porcentual ao ano ou 0,12 ponto porcentual ao mês.De acordo com Queiróz, o aumento está sendo mais do que proporcional à alta da taxa básica porque a inadimplência está elevada e com tendência de alta. Além disso, a financeira não repassou a seus clientes os últimos reajustes da taxa básica."É impossível não mexer nos juros agora", disse o diretor-geral da financeira Exprinter, Leonardo Benvenuto. A partir de segunda-feira, a instituição pretende aumentar entre 0,20 e 0,70 ponto porcentual os juros das suas linhas de crédito para compra de móveis e materiais de construção. As taxas atuais variam entre 4,8% e 6,8% ao mês.Demanda por financiamento deve cairO crédito mais caro deverá derrubar a demanda por financiamentos. No caso da Exprinter, Benvenuto prevê uma retração de de 15% a 20% nos volumes emprestados a partir de julho na comparação com os meses anteriores. O Banco Cacique, que pretende aumentar os juros em 0,25 ponto porcentual ao mês a partir de segunda-feira, reviu de 30% para 10% a estimativa de ampliar a carteira de crédito para 2001, disse o diretor, Wandeley Vettore.Apesar de as expectativas terem sido revistas, a possibilidade explícita de baixar os juros antes da próxima reunião do Copom dá um certo alento às financeiras. "Essa é uma luz no fundo túnel", disse Vettore. Para Benvenuto, o viés de baixa - autorização para o presidente do Banco Central reduzir os juros assim que julgar conveniente faz com que, a médio prazo, o cenário possa melhorar.

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