Financeiras devem elevar juros ainda nesta semana

Pelo menos duas financeiras, o Banco Cacique e a Servloj, pretendem aumentar as taxas de juros ao consumidor ainda nesta semana, depois que o Banco Central (BC) decidiu ontem subir de 18% para 21% ao ano os juros básicos da economia (Selic). O impacto da subida das taxas será quase imperceptível para o consumidor, mas é consenso entre as financeiras que essa alta deverá afetar as vendas a prazo neste fim de ano.Nas contas do vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira, o repasse integral da alta de três pontos porcentuais da Selic deverá ser de 0,21 ponto porcentual ao mês nas taxas atuais. O diretor do Banco Cacique, Wanderley Vetore, calcula um acréscimo de 0,30 ponto porcentual nas suas taxas para aquisição de bens duráveis, que até ontem oscilavam entre 6,5% e 6,7% ao mês. "Desta vez será inevitável mexer nas taxas", diz o executivo. Ele argumenta que a financeira, em tese, estaria atrasada porque o custo de captação subiu desde sexta-feira, quando o governo decidiu reduzir o volume de dinheiro em circulação para conter a especulação sobre o câmbio. O Banco Cacique tem uma carteira de R$ 400 milhões."Ainda não definimos as novas taxas, mas provavelmente vamos aumentá-las", afirma Oswaldo de Freitas Queiróz, diretor-geral da Servloj, que fechou o mês com uma carteira de R$ 60 milhões. Ele destaca que a financeira ontem ainda estava assimilando a alta do compulsório de sexta-feira, quando foi decido o aumento dos juros básicos. "Normalmente no último bimestre o volume de crédito cresce 60% em relação a setembro e outubro. Com essas medidas, o volume será afetado."Já a Losango, promotora de crédito do Lloyds Bank, e uma das maiores no segmento de financiamento ao consumido, informa que não pretende aumentar os juros. O diretor de Novos Negócios, Leandro Vilain, diz que aumento da taxa básica não justifica alta dos juros na ponta. Segundo ele, 60% da taxa cobrada do consumidor se refere à inadimplência e este indicador está sob controle. A Losango fechou setembro com crescimento de 18% de novos financiamentos em relação ao mesmo mês de 2001 e vai manter os juros para ampliar a sua participação de mercado, hoje da ordem de 35%."Mesmo com a fraca demanda pelo crédito, as taxas ao consumidor vão subir", diz Ricardo Malcon, presidente da Acrefi, que reúne as financeiras. Para o diretor da Partner, Álvaro Musa, está frustrada a estimativa de fechar o ano com carteira de crédito de R$ 77 bilhões.

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