Financeiras encolhem prazos do crediário

Financeiras que oferecem crédito para compra de bens reduziram nesse mês os prazos de financiamentos. Além disso, há possibilidade de uma nova rodada de aumento dos juros na primeira semana de maio. A alta do dólar e do custo de captação do dinheiro no mercado futuro, em torno de 24% ao ano, soou como alerta para as financeiras. O que está fazendo crescer a desconfiança em conceder crédito prefixado é o fato de não haver perspectiva do nível no qual os juros e o dólar irão se estabilizar, diz o presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças e Contabilidade (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira. É exatamente para se resguardar desse risco que os prazos estão sendo reduzidos. Segundo ele, o prazo menor reduz mais a demanda por crédito do que a alta dos juros. Dados preliminares da pesquisa mensal da Anefac revelam que o prazo máximo de financiamento de eletroeletrônicos caiu de 24 para 18 meses em abril. Na venda de veículos, o recuo foi de 60 para 48 meses.Parte dessa retração já está sendo captada no balanço das financeiras. Algumas delas até começaram a reavaliar as metas de expansão de crédito para este ano. O Banco Zogbi, por exemplo, que reajustou em 0,5 ponto porcentual as taxas há 20 dias, registrou de março para abril queda de 30% no volume de empréstimos para compra de veículos e de 25% na linha para aquisição de móveis e materiais de construção.Na análise do economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Emílio Alfieri, a alta dos juros básicos sinalizada pelo governo e o encurtamento dos prazos aumentaram o efeito da inadimplência, que estava funcionando como um freio nas vendas financiadas.Juros mais altosA Servloj, por exemplo, que administra o crediário de cerca de 600 lojas de varejo e abre 30 mil novos crediários por mês, informa que vai aumentar de 6,5% para 7% os juros mensais do crediário a partir de 2 de maio. Segundo o diretor-geral, Oswaldo Queiróz, a empresa ensaiou ampliar o prazo máximo de 12 para 18 meses, mas desistiu por causa das turbulências no mercado.A Losango, promotora de crédito do Lloyds Bank, que até março financiava em até 15 vezes, trabalha agora com 12 prestações nas linhas de crédito pessoal e crédito direto ao consumidor. Na avaliação do diretor de Operações, Manuel Vieira, se os juros no mercado futuro ficarem em 23% ou 24% ao ano, haverá necessidade de aumentar em 0,5 ponto porcentual as taxas ao consumidor na próxima semana. O diretor do Banco Cacique, Wandeley Vettore explica que, além da inadimplência estabilizada em níveis elevados, o principal motivo de uma provável alta dos juros é o elevado custo de captação do dinheiro no mercado futuro.

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