Financeiras passarão por reestruturação

Se 2000 representou para as financeiras a retomada do papel dessas instituições na concessão de crédito ao consumidor, o próximo ano deverá ser marcado pela concentração de mercado. Com a perspectiva de continuidade da queda dos juros básicos, da redução da diferença entre as taxas de captação e empréstimo e o maior apetite dos grandes bancos em emprestar dinheiro para compensar a queda na rentabilidade dos títulos públicos, a tendência é de um grande volume de incorporações no setor.Das cerca de 70 financeiras existentes hoje no País, calcula-se que as pequenas empresas não terão fôlego para sobreviver por falta de escala e acabarão cedendo ao assédio de grandes grupos financeiros. Espera-se que esse enxugamento do mercado ganhe contornos mais nítidos no segundo semestre de 2001.A largada para a temporada de aquisições foi dada na semana passada, quando o Unibanco comprou por R$ 480 milhões a metade que lhe faltava para ser o único dono da Fininvest. Os motivos apontados pelo presidente do Unibanco Varejo, Joaquim Francisco de Castro Neto, foram a grande escala de clientes da Fininvest, especialmente os de baixa renda, e a marca forte no mercado, ótima oportunidade de crescimento por meio de compra de outras instituições. O Lloyds TSB também tem planos de expandir os negócios com Crédito Direto ao Consumidor (CDC), por meio da sua financeira Losango, hoje com 12 milhões de clientes, a maioria nos estratos mais baixos de renda. Queda da Selic favorece tendênciaSegundo especialistas em crédito, com a queda da taxa básica de juros, a Selic, hoje em 15,75% ao ano, a rentabilidade das financeiras com pequeno número de clientes deverá recuar. Com isso, elas não terão outra saída senão trocarem de dono. Algumas delas perceberam essa tendência e começaram a valorizar o negócio para passá-lo para frente. A fórmula encontrada foi alongar os prazos de pagamento e engordar a carteira de crédito.O vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, diz que o limite para que esse processo seja desencadeado é quando os juros básicos ficarem abaixo de 15% ao ano. "A partir daí, a aplicação em títulos públicos ficará desinteressante e os bancos vão disputar o cliente a tapa." Como efeito bola de neve, a própria concorrência acirrada irá derrubar as taxas na ponta.

Agencia Estado,

27 de dezembro de 2000 | 18h13

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