Financeiras pretendem manter taxa de juros

Algumas financeiras anunciam que pretem manter ou até reduzir as taxas de juros cobradas do consumidor, apesar da volta do compulsório sobre os depósitos a prazo, que começou a ser recolhido esta semana. A concorrência acirrada e a queda nos volumes emprestados que, segundo dados do Banco Central (BC), recuaram 1,3% nos empréstimos concedidos a pessoas físicas em agosto ante o mês anterior, neutralizaram a tendência de alta nas taxas para compensar aumentos no custo de captação."As vendas estão tão ruins, que estamos reduzindo as taxas", afirma o diretor-geral da Servloj, Oswaldo de Freitas Queiróz. Ele conta que, a partir da semana que vem, a financeira vai reduzir em 0,5 ponto porcentual os juros mensais para o segmento de eletroeletrônicos. A medida será válida para metade das empresas que vendem a prazo por meio da financeira. A taxa mensal de juros, que hoje oscila entre 6% e 6,5%, deverá variar entre 5,5% e 6%.A intenção de cortar taxas, explica Queiróz, é reverter a queda de cerca de 10% nos volumes emprestados neste mês ante o desempenho de agosto e de 5% em relação a setembro de 2000."Neste momento, a concorrência acirrada está forçando o corte nas taxas porque as financeiras querem manter os volumes para evitar quedas na produtividade", afirma Queiróz. É que atualmente a oferta de crédito direto ao consumidor supera a demanda e uma das estratégias para conquistar o cliente é cobrar menos encargos financeiros.Pagando mais pela captaçãoA financeira Exprinter, por exemplo, pretende manter os juros, mesmo pagando mais para captar dinheiro. "O atual ritmo de consumo não suporta mais aumentos nos juros. Se eu repassar essa alta de custo imediatamente para preço, perco o cliente", diz o diretor-geral Leonardo Benvenuto. Nas suas contas, a volta do compulsório sobre os depósitos a prazo aumenta o custo de captação em 7%.A Losango, uma das maiores promotoras de crédito do País, ligada ao Lloyds Bank, pretende, ao menos por enquanto, manter as taxas de juros, segundo o diretor Comercial e Marketing, Leonel Andrade. "A Losango está observando se a volta do compulsório provocará aumento nos custos de captação", observa o diretor.

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