"Financeirização" impede crescimento sustentado, diz estudo

O "ciclo da financeirização" em que o Brasil se encontra desde o fim dos anos 80 impede o crescimento sustentado. Segundo o estudo "O Ciclo da financeirização e a distribuição funcional da renda no Brasil", do secretário de Desenvolvimento da Prefeitura paulistana, Márcio Pochmann, a transferência de renda do setor produtivo para o financeiro é o principal motivo da estagnação da economia brasileira. O secretário, que é economista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), diz que a rentabilidade das instituições financeiras saltou de 10,6% em 1994 para 24,5% no ano passado. Já entre as companhias do setor produtivo a rentabilidade caiu de 5% para 1% no mesmo período. "O crescimento dos bancos foi de 131,1% enquanto que o baixo crescimento da economia nos anos 90 fez as empresas não-financeiras sofrerem queda de rentabilidade de 80%", diz a pesquisa. Segundo o estudo, investir no sistema financeiro significa liquidez e ganhos maiores. "Quem investe no setor produtivo não tem liquidez, tem grandes riscos e a valorização é menor. Um caso eloqüente disso é o setor automobilístico", diz Pochmann, referindo-se ao momento atual vivido pelas companhias automobilísticas. O secretário diz que o Brasil tem condições de sair deste ciclo, mas reconhece que "a tarefa não depende apenas de vontade política e que não é nada fácil".

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