Financial Times diz que economia brasileira está em recessão

O jornal Financial Times, em reportagem publicada hoje, traçou um quadro preocupante da desaceleração econômica vivida atualmente pelo Brasil. Segundo o diário financeiro, a economia brasileira está em recessão, pelo menos tecnicamente, pois há uma expectativa de que o PIB do País vai registrar um crescimento negativo de 0,8% no segundo trimestre. O jornal não citou a fonte desse dado. Como exemplo do impacto da queda de atividade na economia, o FT afirma que as montadoras de automóveis estão suspendendo a sua produção, telefones celulares podem ser comprados por apenas US$ 30 (cerca de R$ 90) e os brasileiros estão consumindo menos analgésicos do que há vinte anos. "Este é o preço que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem tido que pagar para estabilizar a economia e afastar temores nos mercados capitais com austeridade fiscal e monetária", disse o FT. "Com a inflação sob controle, espera-se que o Banco Central corte os juros amanhã entre 1 e 3 pontos percentuais dos atuais 26%. Mesmo isso provavelmente será insuficiente para produzir o ´espetáculo de crescimento´ e os dez milhões de empregos em quatro anos que Lula prometeu, afirmam economistas." Segundo o jornal, a meta de crescimento do PIB de 1,8% neste ano e de 3,5% em 2004 pode estar superstimando a habilidade e disposição dos consumidores e, principalmente dos investidores, para gastar. Mesmo se a taxa Selic cair para 21% no final do ano, como os mercados financeiros esperam, ela permaneceria virtualmente inalterada em 14% se ajustada pela inflação desde janeiro. O aumento previsto dos gastos do governo bem como uma recuperação da renda real pode gerar um aumento da demanda dos consumidores mais no final deste ano mas "crescimento acelerado depende em investimento privado", disse ao FT Paulo Levy, economista do Ipea. Percepção contrária O Financial Times salientou que, ao contrário do vem afirmando o governo, as empresas parecem estar menos inclinadas a fazer novos investimentos hoje do que há alguns meses. "As empresas estão esperando para ver seus investimentos gerarem retornos antes de comprometerem mais dinheiro" disse Paul Fleming, presidente da Volkswagen do Brasil, que nesta semana anunciou a demissão de quase quatro mil empregados. "A nossa matriz está olhando para o Brasil com muito mais cuidado", disse Gisela Turqueti de Almeida, diretora de marketing da Samsung em São Paulo. Segundo o FT, em vários setores como o de energia, farmacêutico e telecomunicações, os investimentos estão suspensos por causa das incertezas regulatórias. As perspectivas de crescimento do País no médio prazo, segundo o jornal, vão requerer progressos nas promessas do governo para reduzir os exorbitantes spreads dos juros através de uma nova lei de falências, liberalizar o mercado de trabalho e cortar uma das maiores cargas fiscais do mundo.

Agencia Estado,

22 Julho 2003 | 16h08

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