Financial Times elogia emissão em reais

O jornal Financial Times afirma que o Brasil, ao vender nesta semana pela primeira vez seu próprio bônus global denominado em real, mostrou muito mais que a resistência dos ativos brasileiros diante dos últimos quatro meses de turbulência política. "Ele deu um passo gigantesco rumo ao fortalecimento de seu mercado local e sua economia", disse o diário britânico. "O bônus de 10 anos, que levantou cerca de US$ 1,5 bilhão de investidores estrangeiros - em sua grande maioria dos Estados Unidos e Europa - vai ajudar a melhorar seu crédito através da redução do desnível entre seus ativos em reais e suas obrigações em dólares." O diário observa que essas disparidades no passado jogaram países emergentes em crises durante fortes quedas cambiais. O FT observa que vários países latino-americanos vêm realizando emissões em moedas locais, mas os investidores estão ressaltando a importância da emissão soberana do Brasil "porque o País está entre os peso-pesados da classe de ativos dos mercados emergentes e sua taxa de juros básica em 19,5% está entre as mais elevadas do mundo". Segundo o jornal, a demanda pela emissão mostra que a maioria dos investidores parece ter ignorado o escândalo político que assola o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Muitos investidores, acrescenta o FT, consideram positivo o escândalo. "Ele torna mais provável um retorno do governo centrista liderado pelo PSDB", disse ao FT o sócio do banco de investimentos Rio Bravo, Winston Fritsch. Fritsch acrescentou que reformas tornarão esse tipo de escândalos menos prováveis. O jornal observa que essa postura dos mercados desconta o risco de que o escândalo poderá gerar incertezas e desestabilização antes das eleições de 2006 ou uma onda de populismo, gastos excessivos e o abandono da austeridade fiscal. "Mas se Fritsch está certo - juntamente com os investidores cujos bilhões de dólares mantiveram os ativos brasileiros em alta durante a crise - a mudança de emissões em dólar de curto prazo para operações em real de longo prazo vai continuar", disse o jornal. "Isso traria uma enorme melhora para os mercados de capitais do Brasil, onde o setor corporativo é empurrado para fora pelo insuperável apetite governamental por dívida." O FT afirma que a perspectiva de queda dos juros já está causando um aumento das emissões pelo setor corporativo brasileiro.

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