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Financiamento às exportações caiu 18% de janeiro a abril

O volume de desembolsos da linha de financiamento às exportações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) recuou 18% nos primeiros quatro meses do ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. Na prática, isto representou redução de R$ 400 milhões no total de liberações, que passou de R$ 2,2 bilhões para R$ 1,8 bilhão. Uma parte do retrocesso se deve à cautela de exportadores em disparar novas operações, face à queda do comércio mundial. A outra, à demora nas negociações de grandes financiamentos, mais estruturados, que sairão do papel nos próximos meses. "Há operações muito grandes que, quando se materializarem, tornarão o resultado bem superior", argumenta Isac Zagury, diretor de produtos de exportação do banco. Ele não revelou detalhes das negociações em curso, mas disse que serão basicamente de produtos manufaturados e de bens de capital. Ele projeta que estas operações deverão elevar os desembolsos do BNDES-Exim, braço de financiamento do banco ao comércio exterior, para R$ 1 bilhão em maio, o dobro da média mensal este ano. Zagury afirmou que estas operações são mais complexas e envolvem mais engenharia financeira e sistema de "buyers credit" (créditos para fornecedores). Acredita-se que o setor de transporte, que inclui embarcações, equipamentos ferroviários e aeronaves, poderá agrupar algumas destas operações. Para a Alstom Power, fornecedora de equipamentos pesados que atua no Brasil nos setores de infra-estrutura, energia e transporte ferroviário, não ocorreu nada de atípico nos negócios este ano. Segundo a superintende de engenharia financeira da Alstom, Christiane Aché, a companhia não deixou de exportar nada no período. Queda expressiva O mesmo não se pode dizer para a exportação de aviões. Segundo levantamento da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), as exportações de aviões da Embraer, responsável por quase 55% da carteira do BNDES-Exim, caíram de US$ 943 milhões no primeiro quadrimestre do ano passado para US$ 723 milhões este ano. Além do impacto dos negócios da Embraer, o diretor-executivo da AEB, José Augusto de Castro, analisa que, de forma geral, o exportador está receoso com a retração do comércio internacional. Não há problemas, informou, de falta de recursos no BNDES-Exim, cujo orçamento é de R$ 7 bilhões em 2002. O economista explica que as retrações da corrente de comércio do Brasil com o resto do mundo este ano geram receio nos empresários para a projeção de novas exportações. A corrente de comércio brasileiro encolheu 16% no quadrimestre. De forma geral, o mundo ainda se recupera lentamente, na avaliação do economista, o que afeta as trocas internacionais. Além disso, as vendas externas ainda sofrem com a queda de atividade do País, a crise argentina e a demora do impacto da retomada americana nas exportãções. Augusto de Castro também explica que alguns tipos de financiamento do BNDES-Exim levam em conta a perspectiva futura para as vendas do exportador e "neste momento as expectativas com o comércio internacional ainda não são tão boas". "As exportações estão caindo e há um certo receio de fechar novos contratos", afirmou. Além disso, algumas modalidades de financiamento reduzem a taxa cobrada, caso o exportador cumpra a meta com a qual se comprometeu e, para isto, ele precisa estar muito seguro para projetar o incremento da sua venda e tomar o financiamento.

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