Financiamento da dívida pública já custou R$ 170 bilhões este ano

O financiamento da Dívida Pública Federal (DPF) custou ao Tesouro Nacional R$ 170,13 bilhões de janeiro a outubro deste ano. O valor dos juros foi incorporado ao estoque, elevando o total da dívida do governo nas mãos de investidores.

RENATA VERÍSSIMO , CÉLIA FROUFE, BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2011 | 03h03

Parte desse valor foi neutralizado porque os títulos resgatados pelo Tesouro superaram em R$ 57,61 bilhões o valor de novos papéis emitidos em 2011. Dessa forma, a DPF fechou outubro em R$ 1,806 trilhão, R$ 112,52 bilhões a mais que o estoque registrado em dezembro de 2010. Na comparação com setembro, a dívida teve uma ligeira queda, de 0,12%.

Esse movimento foi puxado pela Dívida Pública Federal externa (DPFe), que caiu 12,83% por causa de antecipações de pagamento de parte da dívida com o Banco Mundial (Bird). Por outro lado, a Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi), que corresponde à maior parte do estoque (R$ 1,73 trilhão), subiu 0,51% em outubro.

O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro, Fernando Garrido, informou ontem que houve um resgate de R$ 5,2 bilhões na dívida externa em outubro, dos quais R$ 4,7 bilhões foram pagos ao Bird.

"O pré-pagamento por parte do Tesouro abriu espaço para o banco ter mais disponibilidade para Estados e municípios", explicou Garrido. Com isso, o Bird tem capacidade maior de oferta para outros investimentos no Brasil, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), saneamento ou transporte, por exemplo. Isso porque as instituições multilaterais têm limite de exposição de crédito para cada país.

Sobre o custo da dívida, Garrido argumentou que o Tesouro tem conseguido vender títulos este ano com taxas de juros menores. Segundo ele, as taxas pedidas pelo mercado estão em processo decrescente, o que vem reduzindo o custo das operações da dívida pública. Garrido disse que a relação da dívida em proporção ao Produto Interno Bruto (PIB) está também em trajetória de queda nos últimos anos e assim deve continuar.

Ele evitou, no entanto, apresentar estimativas, justificando que as projeções dependem também do comportamento dos juros e do próprio PIB.

Pela primeira vez no ano, o custo médio acumulado em 12 meses, até outubro, da dívida interna foi reduzido. De acordo com dados do Tesouro Nacional, ele passou de 12,79% ao ano em setembro para 12,66% ao ano no mês passado.

A queda ocorreu em razão do arrefecimento da inflação, que ficou menor no mês passado do que em outubro de 2010. Os títulos remunerados pelos índices de preços representam 29,02% do estoque. Os papéis atrelados à taxa básica de juros (Selic) correspondem a 32,01% do total da dívida pública.

Os papéis que têm a remuneração fixada no momento da compra e, por isso, considerados os melhores para administração da dívida pública, equivalem a 35,03% do total. O restante dos papéis, 3,95%, são títulos cambiais.

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