Financiamento para turismo vai crescer 30%

Total desembolsado pelos bancos públicos, incluindo o BNDES, para investimentos no setor deve chegar a R$ 14,7 bilhões até dezembro

JOÃO VILLAVERDE / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2013 | 02h06

Os bancos públicos devem desembolsar R$ 14,7 bilhões em crédito para financiamento de turismo no Brasil neste ano. Esse montante, cerca de 30% superior ao liberado no ano passado, considera todo o financiamento concedido por Banco do Brasil (BB), Caixa, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômicos e Social (BNDES), Banco do Nordeste e Banco da Amazônia para prestadores de serviços turísticos e consumidores finais.

De acordo com dados oficiais obtidos pelo Estado, apenas nos primeiros três meses de 2013, essas instituições financeiras liberaram R$ 2,3 bilhões para o turismo, um volume 33% superior ao desembolsado em igual período do ano passado. A Caixa respondeu por 68% de todo o crédito para o setor em 2013.

Mas nem tudo são flores. O ministro do Turismo, Gastão Vieira, avalia que o volume de crédito para o setor poderia aumentar em ritmo muito mais elevado caso os empresários do ramo hoteleiro modernizassem sua gestão e, ao mesmo tempo, os bancos construíssem uma política específica para o segmento - com uma exigência de garantias mais apropriadas ao setor.

"O modelo de negócio das instituições de ensino superior mudou com a entrada de grandes fundos de pensão no capital, influenciando a gestão. Isso precisa acontecer também com os hotéis, e, de certa forma, está começando, com a entrada de redes internacionais no mercado", disse o ministro, para quem "o Brasil precisa de um setor hoteleiro mais dinâmico do que tem hoje."

Modernização. De acordo com o departamento de financiamento e promoção de investimentos do Ministério do Turismo, o aumento de 33% já no primeiro trimestre nos valores financiados por bancos públicos se dá, entre outros fatores, por causa do início desse processo de modernização da cultura empresarial.

"Os empresários estão se organizando e aprendendo a captar recursos", disse o ministério, em documento. Para acelerar esse processo, o governo estuda a formulação de um "guia do empreendedor", em parceria com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), para fomentar o surgimento de novos atores no mercado.

Ainda assim, boa parte do salto verificado no crédito ao setor se dá, de acordo com o ministro do Turismo, ao "efeito calendário", que impulsiona diversos agentes a tomar recursos para investimentos. No mês que vem será iniciada a Copa das Confederações, em seis capitais do País, e, em julho, a Jornada Mundial da Juventude, no Rio - evento que contará com a primeira viagem oficial do papa Francisco. Em 12 meses começa a Copa do Mundo, e em 2016 será a vez dos Jogos Olímpicos, também no Rio.

O ministério prepara o programa "Viaja Mais Melhor Idade", junto com o Banco do Brasil e a Caixa, para financiar em até 48 prestações as viagens (passagens aéreas e hospedagem) de aposentados durante a baixa estação no País.

O governo divulgou ontem os detalhes do Plano Nacional de Turismo (PNT 2013-2016). Como antecipou o Estado no início deste mês, o plano tem como meta a ampliação em 28% do número de visitantes estrangeiros no Brasil, de forma a atingir 7,9 milhões de turistas internacionais em 2016.

Com isso, o governo espera elevar para US$ 10,8 bilhões a receita obtida com essas visitas. Outra meta do governo é aumentar para 250 milhões o número de viagens domésticas de brasileiros até 2016, um salto de 31% em relação a 2011.

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