Finep pode levar até 3 anos para virar banco de fomento à inovação

Financiadora de Estudos e Projetos quer dobrar o volume de crédito para pesquisa e desenvolvimento nas empresas até 2014, demandando R$ 4 bilhões adicionais em quatro anos

Alexandre Rodrigues, da Agência Estado,

28 de janeiro de 2011 | 18h02

O novo presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Glauco Arbix, afirmou nesta sexta-feira, 28, que o plano do governo de transformar a instituição num banco de fomento à inovação pode levar até três anos para sair do papel. Enquanto isso, a Finep quer dobrar o volume de crédito para pesquisa e desenvolvimento nas empresas até 2014, demandando R$ 4 bilhões adicionais em quatro anos.

Em 2010, a Finep emprestou R$ 1,21 bilhão, 38% mais que em 2009. Somando outras modalidades da execução orçamentária do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), a agência liberou R$ 3,9 bilhões no ano passado, multiplicando por oito seu desempenho na década.

"Esse processo de capitalização da Finep precisa continuar, duplicando a capacidade de crédito em quatro anos para duplicar o número de empresas que apoiamos", defendeu Arbix, em entrevista após assumir o cargo hoje no Rio de Janeiro, na presença do ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante. Um dos objetivos do ministro é livrar o orçamento da Finep de contingenciamentos. "A Finep precisa se tornar uma instituição financeira. É só olhar o tamanho do BNDES, que pode alavancar. Estamos prisioneiros do orçamento de superávit primário e o BNDES tem muito mais liberdade", discursou Mercadante.

Em seguida, Arbix explicou que a definição do novo modelo institucional da Finep e as conversas com o Banco Central para viabilizar a aprovação pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) ainda estão no começo. A Finep ainda vai criar uma forma de separar o empréstimos dos financiamentos a fundo perdido.

A intenção do governo, disse Arbix, é transformar a Finep num banco de fomento de estatuto especial, condição que permitiria instrumentos alternativos de captação de recursos e exigências mais brandas em relação à exposição ao risco, característica do tipo de crédito para pesquisa e desenvolvimento.

"No Brasil não há nada parecido com isso", afirmou o presidente, acrescentando que o governo também não definiu como capitalizar a Finep, se por meio de aportes do Tesouro Nacional ou via captações no mercado. Ele afirmou que a agência já precisa de mais recursos este ano por causa da maior demanda e demonstrou preocupação com a contenção fiscal em curso no governo.

Sociólogo, ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e professor da Universidade de São Paulo (USP), Arbix substituiu Luiz Manuel Fernandes, que estava à frente da agência desde junho de 2007, e deixa o cargo tendo conseguido reduzir a inadimplência de 16% para 1,5%, um dos passos para aproximar a agência do modelo de banco.

Segundo Arbix, o fortalecimento da Finep é parte do contexto da nova política industrial em elaboração no governo, que terá como objetivo elevar o investimento privado em inovação dos atuais 0,59% para 0,9% do PIB até 2014.

Tudo o que sabemos sobre:
fomentopesquisaFinepbancoempresas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.