Domínio público
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Finlândia testa renda básica e distribui dinheiro para desempregados

O país é o primeiro a transferir renda sem questionar o beneficiário nem exigir que ele busque trabalho

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2017 | 18h13

GENEBRA - A Finlândia é o primeiro país a distribuir dinheiro para desempregados, sem questionar o beneficiário e nem mesmo exigir que ele busque um trabalho. A ideia de uma renda básica universal vem sendo debatida em diversos países e, em alguns locais, um salário vem sendo pago. Mas, pela primeira vez, um governo nacional decide fazer o experimento em nível nacional. 

Num primeiro momento, 2 mil finlandeses receberão cerca de 560 euros por mês de forma incondicional. Até hoje, para receber um seguro-desemprego, o cidadão era obrigado a demonstrar que estava buscando trabalho. A nova ajuda ainda ocorrerá independente da fortuna acumulada pela pessoa. Não será perguntado de que forma o cidadão irá gastar os recursos e nem se ele pretende economizar. 

O objetivo da contribuição pode parecer contraditório: criar incentivos para que os desempregados voltem ao mercado. Uma pesquisa realizada no ano passado pelo governo mostrou que muitos cidadãos preferem continuar a receber benefícios sociais e não voltar a trabalhar em empregos que não desejam realizar ou com salários baixos. Com o novo esquema, o governo espera acabar com essa situação, já que o cidadão teria garantias de que voltaria a ser auxiliado pelo estado caso desista do emprego e continuaria a receber a renda mínima, mesmo sobre seu novo salário pago pelo empregador. 

Assim, o estado espera que os desempregados sejam atraídos a tentar novos trabalhos que inicialmente não estariam interessados ou mesmo empregos de curto período. 

O governo se deu conta que, com uma certa estabilidade garantida pelo seguro desemprego, cidadãos estariam menos inclinados a arriscar e voltar ao mercado de trabalho, temendo perder seus benefícios. Para completar, poderiam perder ajuda moradia e outros benefícios uma vez que tenham um emprego. 

Outra função do salário incondicional é que o beneficiado pelo sistema continuará a receber os 560 euros por mês, mesmo depois de conseguir o trabalho. Um dos obstáculos hoje é o fato de que, para muitos empregos, o salário pago chega a ser inferior ao seguro desemprego que o governo garante. 

Ao Estado, fontes do governo finlandês indicaram que a meta da administração é de que o projeto ajude a reduzir a taxa de desemprego, hoje em cerca de 8,8% e uma das mais altas dos países nórdicos. 

Se Helsinque é o primeiro a adotar em todo o país a estratégia, os finlandeses não são os únicos a testar o modelo. Na Suíça, um referendo foi organizado para avaliar se a população estava disposta a implementar o sistema. Mas o projeto não foi aprovado.

Na Holanda, algumas cidades passaram a testar o programa e, na Escócia, regiões também vão avaliar a ideia em 2017. Na cidade de Livorno, na Itália, o mesmo esquema já foi adotado para cerca de cem pessoas. 

Nos EUA, um programa do Vale do Silício foi anunciado em maio para garantir aos cidadãos de Oakland, na Califórnia, um apoio de seis meses a um grupo de cidadãos mais vulneráveis. No caso americano, o teste também é para saber como as pessoas se comportam diante de uma certa liberdade financeira.

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