Luiz Moretti/Divulgação
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Fintech faz a 'ponte' para empréstimos entre pessoas físicas

Bullla intermediou R$ 5 milhões de empréstimos de janeiro a agosto, ante R$ 1,5 milhão em todo o ano de 2020

Entrevista com

Marcelo Villela, co-fundador e CEO da fintech Bullla

Márcia De Chiara, São Paulo

13 de setembro de 2021 | 05h00

Comuns na Inglaterra e nos EUA, fintechs que fazem o “match” entre quem quer emprestar dinheiro e quem está em busca de crédito, sem bancos no meio, foram autorizadas no País em 2019. A Bullla, que encabeçou a lista das Sociedades de Empréstimos entre Pessoas Físicas (SEPs), já acumula resultados positivos. De janeiro a agosto, a fintech intermediou R$ 5 milhões de empréstimos, ante R$ 1,5 milhão no ano inteiro de 2020. Com juros menores do que os cobrados pelos bancos, Marcelo Villela, CEO da startup, vê muitas oportunidades nesse novo modelo de crédito que batizou de “comunidade financeira”. “Estamos criando a XP do crédito”, avisa.

 

Como funciona uma SEP?

Por meio de algoritmos e uma lógica de crédito, dou uma nota para quem quer o empréstimo. Os juros mensais variam entre 1,5% e 5%. E a pessoa pode pedir R$ 2 mil, R$ 3 mil e R$ 4 mil, sempre valores redondos. O investidor que quer emprestar escolhe um tomador e assim se formaliza o contrato. Neste momento ganho a comissão de 6%. Sou a comunidade financeira que junta as partes. Eles têm um chat para conversar, mas estamos no meio de campo.

Quais são os perfis das partes?

Os que procuram empréstimo são das classes C e D. Metade é empreendedor autônomo. Entre os que emprestam, 50% são recém-aposentados que formaram um patrimônio, querem preservá-lo e obter uma renda. Ninguém pode emprestar mais de R$ 15 mil por CPF.

Como surgiu a ideia? 

Vindo de onde eu vim - depois de três anos como presidente da financeira Losango -, enxerguei uma oportunidade. No mercado financeiro a pessoa que empresta ganha entre 4% e 5% ao ano com um CDI (Certificado de Depósito Interbancário). E a que toma emprestado paga entre 8% a 9% ao mês. No empréstimo entre pessoas físicas os juros para quem toma o empréstimo são bem menores, e a remuneração para quem empresta pode chegar a 20% ao ano. No mercado financeiro banco quer ganhar dinheiro com crédito. Aqui é gente emprestando para gente.

E a inadimplência, é alta?

Está em 9,7%. Cerca de 95% dos que pegam empréstimo e não pagam não têm a intenção de dar o cano. Ou não souberam administrar ou não entenderam o custo da dívida. Quando a pessoa vai dar calote, ela liga avisando.

Vocês chegam a incomodar?

Estamos criando a XP do crédito. No começo, a XP não incomodava, mas criou um novo modelo e todo mundo está de olho em novos modelos. Esse é um mercado novo e crescente.

 

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