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Fintechs precisarão de um bom plano de negócios para conseguirem novos investimentos

Embora essas empresas tenham bom desempenho, não são imunes à volatilidade

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2022 | 05h00

As fintechs compõem uma categoria de empresas que aplicam novas tecnologias no mundo das finanças. Como resultado dessa combinação, estão surgindo empresas com modelos de negócio inovadores que trazem soluções muito boas para o mercado. Em muitos casos estão voltadas a nichos específicos, que em algumas vezes ultrapassam o financeiro e dedicam-se a causas. 

Podemos encontrar fintechs voltadas a negros, LGBTQIA+, ONGS, menores de idade, entre outras. De maneira geral, os produtos e serviços oferecidos são processamento de pagamentos, banco online, empréstimos pessoa a pessoa (peer-to-peer), software e serviços financeiros. O potencial é bastante promissor. A despeito dos pagamentos sem moeda física terem crescido muito nos últimos anos, o maior volume de transações ao redor do mundo ainda é feito em dinheiro vivo. 

Da mesma forma, as taxas e tarifas cobradas pelas fintechs são tipicamente melhores do que a dos bancos tradicionais, mas a maioria dos consumidores ainda usa serviços bancários baseados em agências.

Segundo a Forbes, em 2021 as fintechs receberam mais de US$ 130 bilhões em investimentos, em torno de 20% de todo o capital de risco investido no ano, além do que muitas abriram capital.

Hoje no Brasil temos mais de 1.200 fintechs em operação. Frente a esse cenário, muitos se perguntam se vale a pena investir nas fintechs. Embora, na última década as ações dessas empresas tenham apresentado um bom desempenho, temos que considerar que não são imunes à volatilidade de mercado. 

Os avanços tecnológicos, como a internet das coisas (IOT), inteligência artificial (IA), blockchain e computação em nuvem, juntamente com as megatendências para o segmento financeiro – como operação multicanal, serviços 24/7, carteiras digitais, uso de algoritmos, a necessidade de maneiras seguras de acessar dinheiro e informações financeiras confidenciais –, mostram-se favoráveis às fintechs. 

Por outro lado, o Banco Central anunciou no início de março novas regras, com mais exigências para o setor, que podem inibir o crescimento dessas instituições. Os investidores devem entender que esse mercado vai passar por amadurecimento e, fatalmente, por depuração. 

Não basta uma fintech ter um bom nicho e tecnologia para ter garantia de sucesso, essas empresas deverão contar com um plano de negócios muito bem construído, com um fluxo de caixa consistente que mostre que o negócio para de pé.

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