Luciana Aith/B3
Luciana Aith/B3

Fintech 'Toro' abre corretora e tenta brigar com grandes grupos

Criada há oito anos em Belo Horizonte como uma startup de educação financeira, a Toro faz o salto para a corretagem com o objetivo de ampliar o acesso das pessoas comuns ao mercado de ações

Jéssica Alves, O Estado de S. Paulo

23 Julho 2018 | 05h00

A Toro Investimentos, fintech de educação financeira, quebrou o jejum de 3 anos sem novas corretoras e marcou o primeiro movimento das fintechs nesse segmento, que tenta atrair o investidor comum com taxas mais baixas do que a dos bancos. 

A corretora pretende democratizar o acesso de pessoas ao mercado financeiro, sobretudo o de ações, e para isso tirou a roupagem de ‘trader’ do home broker e deu um visual mais acessível e próximo de pessoas comuns. Além de melhorar a usabilidade, para atrair as pessoas para o mundo de ações, a corretora não vai cobrar taxa de corretagem para quem tiver prejuízo.

Criada há oito anos em Belo Horizonte como uma startup de educação financeira, a Toro faz o salto para a corretagem com o objetivo de ampliar o acesso das pessoas comuns ao mercado de ações. Hoje, apenas 600 mil pessoas físicas investem na Bolsa. O número é 1% dos 60 mihões que estão na poupança.

Para fazer frente a gigantes desse setor, como a líder XP, que recentemente vendeu quase metade de sua operação para o Itaú Unibanco por R$ 5,7 bilhões, a Toro conta com um capital inicial de R$ 46 milhões angariado entre diversos investidores. Um deles é o empresário Eugênio Mattar, presidente da Localiza.

Para Francis Wagner, fundador do APP Renda Fixa, que funciona como uma prateleira de investimentos para o investidor comparar e uma espécie de benchmark das corretoras, o lançamento da nova corretora é bastante importante para movimentar o mercado e se refletir em melhorias e taxas mais competitivas para o investidor.

O diretor de relacionamento com clientes da B3, Felipe Paiva, diz esperar que o modelo da nova entrante amplifique a relação entre corretoras e investidores.

Segundo a B3, a última corretora a ser erguida do “zero” foi a Modalmais, em 2015. Para se ter uma ideia, XP e a Easynvest têm muito mais tempo de estrada: elas foram fundadas em 2001 e 1999, respectivamente.

Foco na Bolsa. Os executivos que estão à frente da Toro Investimentos querem ter foco principal em renda variável. Eles lembram que hoje o total de brasileiros que investem na Bolsa é equivalente a apenas 1% das 60 milhões de cadernetas de poupança. “Nosso objetivo é criar mercado. Há um potencial de 10 milhões de investidores (na Bolsa)”, destaca Gabriel Kallas, 26 anos, um dos cinco sócios-fundadores da Toro. 

Para atingir essa meta, a corretora vai abandonar o tradicional home broker, ferramenta de negociações que, na visão da Toro, só é inteligível para “traders”. 

Na nova corretora, as ações serão apresentadas em formato de cartões (cards), sinalizados com sua respectiva marca, para facilitar a visualização. Os cartões vão trazer ainda informações sobre cada companhia como as perspectivas para os próximos períodos. 

A compra da ação também será feita de acordo com o recurso que o investidor quiser aplicar, e não por um número definido de ações ou contratos. No próprio cartão da ação também já estará incluída a ferramenta stop loss, que limita perdas, e o investidor poderá definir o valor que está disposto a perder. 

A Toro também se compromete a cobrar taxa corretagem somente se o investidor tiver lucro com as ações recomendadas. O porcentual será de 10% dos ganhos.

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