Fiocca contesta dados do setor de energia citados por Alckmin

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Demian Fiocca, desmentiu nesta segunda-feira declarações dadas no domingo, no debate entre presidenciáveis, pelo candidato da coligação PSDB-PFL à Presidência da República, Geraldo Alckmin, segundo as quais não houve nenhum investimento em geração de energia no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que, por esse motivo, haveria risco de racionamento de energia e apagão em 2009."Estas informações estão rigorosamente erradas. Acho importante esclarecer a realidade das perspectivas do setor energético porque ´fantasmas´ inexistentes desse tipo poderiam afetar o cenário de investimentos do País", afirmou.Segundo Fiocca, entre 2003 e 2006, o BNDES aprovou investimentos de R$ 13,2 bilhões no setor energético, dos quais já liberou R$ 7,6 bilhões, um total de 62 projetos que geraram 10,4 GW. Ele citou como exemplo as usinas de Tucuruí IV - financiamento de R$ 900 milhões e geração de 4 mil MW -, Capim Branco I e II - 400 MW cada -, Peixe Angical e Corumbá IV - que entram em operação neste ano -, Campos Novos - em operação em 2007 - e Barra Grande - em operação desde 2005. "Não procede a idéia de risco de racionamento ou falta de energia em 2009", afirmou.O presidente do BNDES disse ainda que quem pode fazer a melhor avaliação da demanda de energia no País são as empresas distribuidoras de energia, que estão em contato com a maior parte dos usuários. De acordo com ele, as distribuidoras já fizeram suas projeções para os próximos cinco anos e especificamente para 2009 e, seguindo suas perspectivas, já contrataram 95% da energia que prevêem que existirá. "E a previsão deles é a melhor previsão existente", considerou. Segundo ele, os 5% restantes fazem parte de uma margem mantida por prudência, mas que poderá ser atendida pelo mercado de atacado. "Não foi contratado para que elas tenham flexibilidade."Fiocca ressaltou que não pretendia fazer qualquer avaliação política do debate, mas acabou por alfinetar a oposição e o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao final de suas declarações. "Eu até entendo que, do ponto de vista político, alguns queiram, enfim, tirar a atenção das deficiências de gestão e desempenho que levaram ao racionamento de 2001, mas tentar dizer que isso pode se repetir, politicamente, acho que não é adequado porque poderia minar o ambiente de investimentos no País", declarou."O País está desde 2004 num ciclo de crescimento que todos gostaríamos que fosse ainda mais acelerado, mas que de todo modo já é superior ao que o Brasil registrou nos últimos 20 anos. Ou seja, o Brasil está crescendo mais hoje do que crescia no passado e tem uma perspectiva favorável de investimentos", finalizou.Fiocca fez as declarações após participar da webconferência Linhas de Crédito para Micro e Pequenas Empresas, realizada pelo Sebrae e pelo BNDES, na manhã desta segunda, na capital paulista.

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