Fipe destaca espaço para corte de juros na reunião do Copom

O coordenador-adjunto do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Juarez Rizzieri, disse hoje acreditar que o Comitê de Política Monetária (Copom) tem espaço para reduzir em, no mínimo, dois pontos porcentuais a Selic, a taxa básica de juros, que atualmente está em 26% ao ano. "Mas pessoalmente eu acho que o BC não vai fazer isso. O nível de cautela é tão grande que o corte nem poderá chegar a dois pontos porcentuais", disse. Se prevalecer o conservadorismo do Banco Central, segundo o economista, não haverá tempo para que a Selic caia a ponto de atingir no final do ano a taxa de 20% ao ano esperada pelo mercado. Ele lembra que restam apenas seis meses para que o BC reduza em seis pontos porcentuais a taxa de juros e que, por isso, a autoridade monetária teria que se mostrar mais ousada agora para depois voltar a promover cortes graduais. Deflação não deve ser motivo de felicidadeA taxa negativa na variação dos preços ao consumidor não é motivo de "felicidade", disse o coordenador-adjunto do IPC-Fipe. Segundo ele, a deflação está presente em todos os indicadores de preços, mas reflete o aprofundamento da queda da atividade. "Nesta época do ano já é esperado taxa negativa nos preços do grupo Vestuário, mas este ano, por falta de demanda, esta queda está sendo maior e deve se ampliar ainda mais", previu o economista. O pior, continua Rizzieri, é que o consumidor percebe que o comércio está tentando desovar seus estoques e deixa para fazer suas compras mais tarde, com o objetivo de pegar preços ainda menores. "Não é para ficar feliz com essa deflação", afirma. O risco destas taxas negativas apresentadas pelos indicadores de preço, na opinião dele, é que ela não permite que se meça a assimetria do efeito da política de juros sobre a atividade. "O BC pode ter pressionado o nível de atividade para baixo muito mais do que deveria. Com isso, haverá mais aumento do desemprego e o Banco Central poderá ter que cortar juros muito mais do que se previa", disse. Para Rizzieri, não é desejável que esta deflação pontual se generalize porque psicologicamente ela poderá incentivar o consumidor a reduzir ainda mais suas compras à espera de quedas maiores. "Esse comportamento do consumidor é uma herança que ele carrega desde a crise de 29", disse ele.

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