Fipe: inflação deve começar a recuar

A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) espera um recuo expressivo da inflação em setembro. A previsão é de uma taxa inferior a 0,5%, após fechar em 1,55% em agosto e 1,40% em julho, porque os itens que causaram o repique nos dois últimos meses devem deixar de pressionar os índices. "A inflação tende a ficar mais próxima ao núcleo em setembro, que continua variando em média 0,30%", avaliou o coordenador da pesquisa da Fipe, Heron do Carmo.Segundo ele, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) já está em 0,5% na ponta, ou seja, na comparação entre a última semana de julho e a última de agosto, o que indica a estabilização dos preços. Para 2000, a Fipe continua a projetar uma inflação entre 5% e 5,5%. As previsões estão ameaçadas por um eventual aumento das tarifas de transporte urbano ou por um novo reajuste dos combustíveis.Em agosto, os preços administrados pelo governo ou que refletem a variação da inflação responderam, sozinhos, por 0,89 ponto porcentual do IPC. A maior alta no período foi do álcool combustível, que subiu 14,88%, seguido pela energia elétrica (9,26%), gasolina (7,74%), gás de botijão (5,53%) e telefone fixo (3,66%). Os contratos de assistência médica, que têm peso importante no índice, tiveram alta de 3,18%. Estes itens, entretanto, não deverão subir novamente agora. Preços dos alimentos devem cairOs alimentos hortifrutigranjeiros, o frango e o feijão também devem ajudar no recuo, com a regularização da oferta e conseqüente queda dos preços, o que já começa a ser observado na pesquisa. Heron assinalou que o frango, por exemplo, que aumentou 17,81% em agosto, já está custando menos no atacado. O mesmo acontece com o feijão e alguns in natura. O IPC de agosto ficou em 1,55%, valor bem superior à previsão do início do mês, que era de 1%. Segundo Heron, houve um retardamento da queda dos preços dos alimentos, em relação ao que era esperado. As variações do IPC, por grupo, foram: Habitação, 1,58%; Alimentação, 2,37%; Transportes, 2,43%; Despesas Pessoais, - 0,25%; Saúde, 1,47%; Vestuário, 0,61%; Educação, 0,07%. Metas de inflação estão folgadasO economista da Fipe acredita que a meta de inflação do governo deste ano e do próximo estão folgadas. Com os reajustes que causaram uma alta de quase 3% nos últimos dois meses, a média mensal para o último quadrimestre deste ano ficará entre 0,3% e 0,4%, na medição da Fipe. Isto deve se repetir também com índice oficial do IBGE. No ano que vem, lembrou, teremos de saída um alívio de um ponto porcentual na inflação, referente aos reajustes menores de tarifas e outros preços que são corrigidos pela inflação passada. O porcentual a ser usado no cálculo será aproximadamente a metade do que foi empregado nos reajustes deste ano.

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