Fipe: inflação estável até 2002

Os índices inflacionários no Brasil devem entrar em calmaria nos próximos meses, permanecendo assim até as eleições de 2002. Movimentos de alta não estão previstos, a não ser que ocorram algum choque de oferta de produtos agrícolas ou oscilações externas de matérias-primas, segundo previsão do coordenador da pesquisa de preços da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Heron do Carmo. Na avaliação do economista, mesmo que o petróleo volte a subir, as oscilações devem ser menores e, além disso, os aumentos dos combustíveis já ocorreram este ano, diminuindo a possibilidade de outros reajustes expressivos. "Se não acontecerem novos problemas políticos no Oriente Médio, o equilíbrio entre oferta e demanda deve continuar e os preços podem até cair depois de março de 2001", previu Heron. Ele acrescentou que a tendência é de a produção aumentar, por meio de investimentos em outras áreas fora da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), movimento típico de épocas em que há crise de abastecimento.Heron admitiu que poderá ocorrer outro repique da inflação em julho do próximo ano, mês em que estão concentrados diversos reajustes de tarifas públicas e preços administrados. Mas a variação deve ser bem menor que neste ano, porque o IGP-M (que corrige as tarifas) ficará em aproximadamente 8% no meio de 2001, contra quase 14% este ano. Eleições de 2002 devem interromper estabilidadeO economista prevê uma certa pressão em 2001, impulsionado por três motivos. Primeiro, pelos reajustes salariais em porcentuais superiores à inflação futura. Além disso, pelo aumento das exportações, que deve elevar a produção e o emprego. Por fim, devido aos gastos públicos, porque o governo está arrecadando mais. Isto, no entanto, não deve elevar a inflação, já que a oferta de produtos deve ser ampliada na mesma proporção e as altas taxas de juros vão continuar funcionando como freio.Heron acha que esta calmaria pode ser interrompida somente em 2002, por conta das eleições presidenciais e estaduais. As incertezas sobre os novos governantes podem desestabilizar a economia por meio das oscilações do fluxo de capital internacional.

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