Fipe mantém projeção de 0,20% para inflação de julho

Salvo a presença de choques de oferta consideráveis, a deflação ao consumidor deverá se restringir ao mês de junho. É no que acredita o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da Federação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), Paulo Picchetti. Ele manteve nesta quarta-feira a sua previsão de inflação em 0,20% para o fechamento de julho. Segundo ele, tudo se encaminha para que os preços voltem para o terreno positivo, depois de serem verificadas sete taxa negativas consecutivas na cidade de São Paulo.Na primeira quadrissemana de julho, o IPC registrou uma deflação de 0,19%. Apesar de ainda negativa, trata-se de uma variação menor do que a de -0,31%, apurada no encerramento do mês passado. "Esta taxa confirma a trajetória de volta dos preços para o terreno positivo", disse.Por trás da deflação apurada nos últimos 30 dias, continuam os alimentos e os combustíveis. Mas são justamente esses dois grupos de produtos que contam bem a mudança de rumo da inflação em São Paulo. Na primeira quadrissemana de julho, o grupo Alimentação reduziu seu ritmo de queda para 1,11%, ante uma deflação de 1,36% em junho. Dentre os subgrupos da Alimentação, a única queda na ponta foi a dos industrializados, que ficaram 0,70% mais baratos.A explicação, de acordo com Picchetti, vem do preço do pão francês, que embora tenha subido 0,65% na quadrissemana, já mostra uma queda de 1,8% na ponta. A alta do produto na quadrissemana reflete o reajuste de 4% promovido no preço do pão na semana passada, disse Picchetti.AlimentosOs alimentos semi-elaborados, apesar de estarem em queda de 0,15% na ponta, já mostram alguma elevação de preço se comparada com a deflação de 0,60% na ponta da última semana de junho. Na primeira quadrissemana deste mês, os alimentos semi-elaborados ainda apresentam uma queda de 1,09%. Contribuíram para esse movimento principalmente os preços das carnes. O frango fechou em queda de 2,59%, a alcatra em -2,64%, o coxão mole em -1,08%, o contrafilé em -1,87%, e o patinho em -2,34%. Também o preço do feijão foi reduzido em 7,90%.Os alimentos in natura, que reduziram o ritmo de queda de 2,40% para 2,05% na ponta, na quadrissemana ficaram negativos em 3,60%. Pesaram para esta queda a redução dos preços do tomate (-20,54%), alface (-12,04%), couve (-11,69%), laranja (-1,86%) e cenoura (-5,51%). "Portanto, tirando a história do pãozinho, os alimentos na ponta convergem para a estabilidade", afirmou Picchetti.CombustíveisNo caso dos combustíveis, disse o coordenador da Fipe, o preço do álcool já vem subindo há sete semanas seguidas no atacado, segundo levantamento do Centro de Pesquisas Agrícolas (Cpea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queirós (Esalq). De acordo com Picchetti, isso é um resultado da combinação do fim da safra da cana de açúcar com o aumento do consumo dos mercados doméstico e internacional.Na primeira semana de julho, o preço do álcool já inverteu o sinal na comparação ponta a ponta. Saiu de uma queda de 3,3% para uma alta de 1%. Este aumento deverá aparecer nas próximas quadrissemanas do IPC-Fipe. Para o ano, Picchetti manteve a previsão de 2,5% para o IPC, taxa que resulta da revisão feita na semana passada de uma taxa que já vinha há muito tempo rodando a 4%.

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