Fipe mantém projeção de inflação para julho

A Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe) manteve a projeção de inflação para julho em 0,85%. Mas o coordenador de preços da Fundação, Heron do Carmo, antecipou que esta previsão poderá ser revista para baixo. Isso porque os preços livres, em função da fraca demanda, poderá não oscilar 0,30 ponto porcentual, como previsto na semana passada, quando o economista estimou que as tarifas públicas pressionaria o IPC-Fipe em 0,55 ponto porcentual em julho e considerou a oscilação normal dos preços livres de 0,30 ponto porcentual. Heron explicou ainda que o aumento das tarifas, que funciona como uma espécie de imposto compulsório para o consumidor, deverá reduzir ainda mais o espaço que os preços livres teria para aumentar. "O consumidor terá que desembolsar mais para pagar as tarifas dos serviços públicos, sendo forçado a diminuir o seu orçamento destinado a comprar alimentos, vestuário e lazer", diz ele.De acordo com o economista, outro fator positivo, do ponto de vista da inflação, é que a desvalorização do câmbio, que muitos achavam que poderia afetar a inflação, está sendo repassada para alguns produtos específicos como pão francês -- que subiu 2,46% na primeira quadrissemana de Julho --, óleo de soja (alta 8,09% no mesmo período), entre outros produtos derivados de commodities cotadas em dólar. Ainda assim, ressalta o coordenador da Fipe, o pass-through do câmbio para os preços não tem ocorrido integralmente, uma vez que muitas empresas já haviam incorporado na suas contas uma taxa cambial de R$ 2,80.Um grupo que reflete bem este comportamento, segundo Heron do Carmo, é o Habitação, que saiu de uma alta de 0,36% no fechamento de junho para uma variação de 0,23% nesta primeira quadrissemana (período de 30 dias, encerrado no último dia 7). O economista aponta o exemplo dos produtos de limpeza, que no início do ano pressionaram a inflação mas que agora estão recuando apesar da alta do dólar. Ainda dentro do grupo Habitação, os produtos que compõem o subgrupo Equipamentos do Domicílio, recuaram de uma variação positiva de 0,27% no fechamento de junho para uma deflação de 0,29% na primeira parcial da Fipe em julho. "As empresas desse segmento aproveitaram o ensejo da Copa do Mundo para repassar a variação do dólar, mas acabaram recuando diante da fraca demanda", explica.Outro grupo que traduz bem a baixa atividade econômica é o de Despesas Pessoais, que contém em sua composição uma grande quantidade de produtos que dependem de matérias primas cotadas em dólar. Este grupo fechou a primeira quadrissemana com alta de 0,53%, praticamente estável em relação ao fechamento de junho (0,52%). Mas o subgrupo Artigos de Higiene e Beleza, apesar da puxada do câmbio, reduziu seu ritmo de alta, de 0,70% para 0,59%.O grupo Alimentação encerrou a primeira prévia da Fipe em julho com alta de 0,39%, ligeiramente acima da variação de 0,36% apurada no fim do mês anterior. A alta registrada veio dos produtos semi-elaborados, como arroz (4,14%) e o feijão (9,12%). Esses aumentos, segundo Heron do Carmo, resultam da política do governo em recuperar o preço do arroz, que teria sido depreciado nos últimos anos. No caso do feijão, explica o economista, o aumento reflete a quebra de safra em função das variações climáticas. "Mas os preços desses produtos são flexíveis e com a mesma velocidade de sobem, caem".Outro item do grupo Alimentação que está e deve continuar a ajudar manter os preços livres em queda, caso não haja geada, são os produtos in natura, que já recuaram de uma variação média de 0,06% em junho para uma deflação de 0,78% nessa primeira quadrissemana de julho. "A primeira quadrissemana deste mês está servindo para reforçar que a inflação só não está mais baixa por conta dos reajustes promovidos pelo governo", disse.

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