Fipe prevê alta dos combustíveis

O aumento na produção diária de petróleo em 800 mil barris, decidido pela Opep - Organização dos Países Exportadores de Petróleo - no domingo não foi suficiente para desacelerar a alta do preço do produto no mercado internacional. Ontem, o preço do barril em Nova York chegou a US$ 35,85 - patamar mais alto desde a crise do Golfo em 1990. Para o Brasil, a preocupação é que essa pressão de alta sobre o preço do petróleo possa obrigar o governo a elevar o preço dos combustíveis."Se o preço do barril ficar acima de US$ 30, há grandes chances de aumento no preço dos combustíveis", afirma Heron do Carmo, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas e Estatística (Fipe), vinculada à USP. Porém, ele ressalta que, para tomar essa decisão, o governo deve levar em conta, principalmente, o cumprimento da meta de inflação - de 6% para esse ano, com possibilidade de alta de dois pontos porcentuais. Na opinião de Heron do Carmo, o governo deve esperar até o início de dezembro para aumentar os combustíveis. "Dessa forma, a equipe econômica saberia de forma mais precisa de quanto poderia ser o reajuste, sem que houvesse um comprometimento da meta", avalia o coordenador do IPC. Ele destaca que, para cada 10% de aumento no preço dos combustíveis, o IPC - Índice de Preços ao Consumidor -, calculado pela Fipe, sobe 0,3 ponto porcentual. Caso essa seja a decisão do governo, o economista explica que os efeitos diretos - alta de preços nos fatores que compõem o IPC - seriam percebidos ainda esse ano, enquanto os indiretos seriam percebidos no próximo ano, quando a meta de inflação é de 4%. Segundo ele, quando o governo definiu a meta para 2001, não havia no cenário econômico o problema com o preço do petróleo.Por que o preço do petróleo está subindo?De acordo com Fábio Silveira, economista da Tendências Consultoria, a alta no preço do petróleo é resultado de um desequilíbrio entre a oferta e a demanda. Para se ter uma idéia, apesar do aumento na produção diária do petróleo em mais de 3 milhões de barris de junho de 1999 até junho desse ano, a demanda atual é um pouco menor do que a produção. Isso impede que os maiores países importadores de petróleo renovem seus estoques, que já estavam baixos em função do crescimento da demanda em 1999. Ao mesmo tempo, a Opep conseguiu deflagrar um corte na produção. Exemplo disso são os Estados Unidos. O país responsável por 39% do consumo mundial apresenta seu nível mais baixo de estoque nos últimos 24 anos. A Europa também vem registrando aumento no consumo, devido ao crescimento da atividade econômica. O mesmo ocorre no Sudeste da Ásia. A Opep soube aproveitar esse momento, concentrando os esforços dos países-membros, o que nem sempre é possível, já que são Estados independentes. Os esforços da organização dependem de esforços diplomáticos e do cumprimento voluntário das cotas por todos os países envolvidos.

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