Fipe prevê aumento da gasolina

O momento oportuno para o governo reajustar novamente o preço da gasolina é fins de novembro, quando ele já terá uma prévia dos índices anuais de inflação e um quadro mais definido sobre o preço do barril do petróleo, tendo em vista o inverno do Hemisfério Norte. Para cada 10% de aumento na gasolina, o impacto é de 0,5 ponto porcentual na inflação.A recomendação é do coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), o economista Heron do Carmo. Ele acrescenta que, ao conceder um reajuste no fim do ano, o governo evitaria comprometer a meta de inflação de 2001, de 4%. Ele explica que, ao aumentar a gasolina no fim do ano, o impacto direto seria sentido em 2000 e sobrariam apenas os reflexos indiretos desse reajuste para o ano seguinte. A previsão de Heron é que o IPC-Fipe acumulado em 2001 fique em 3,5%, dependendo do comportamento do petróleo. "Se a alta do petróleo continuar, a folga da meta de inflação pode ficar comprometida para o ano que vem, mas eu não trabalho com essa possibilidade", afirma o economista. Ele destaca que parte do efeito da crise atual do petróleo é porque o preço do produto caiu muito nos últimos anos. A outra parcela decorre de problemas políticos. "Esse choque do petróleo é diferente de outros choques", observa.Metas da inflaçãoO coordenador do IPC-Fipe avalia que a crise do petróleo irá ter impacto maior no ritmo de crescimento da economia do que nos índices de inflação. Ele acredita que o governo vai balizar a política monetária para atingir as metas de inflação acordadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Com isso, o reflexo será sentido no crescimento da economia para o próximo ano, uma vez que existe um intervalo de seis meses para que as decisões de política monetária tenham impacto no ritmo de atividade. O IPC-Fipe deste mês poderá ficar abaixo de 0,3% e fechar outubro abaixo de 0,5%, confirmando a tendência de desaceleração da inflação na cidade de São Paulo iniciada nos últimos 30 dias. Para o ano, no entanto, a instituição mantém a previsão de que o IPC oscile entre 5% e 5,5%.Se o prognóstico de Heron do Carmo para este mês e o próximo se confirmar, o índice de inflação na cidade de São Paulo estará voltando a níveis próximos ao núcleo da inflação, que mede as variações de preços descontados os efeitos típicos de cada época do ano ou de oscilações excessivas. "Isso mostra que os efeitos dos choques de preços estão perdendo força no índice de inflação", diz o economista.

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