Fipe prevê preços estáveis em abril

A inflação ao consumidor na cidade de São Paulo deve ficar estável em abril, de acordo com a previsão da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Na semana passada, o coordenador do Índice de preços ao Consumidor (IPC), Paulo Picchetti, tinha certeza de que a inflação fecharia negativa no encerramento deste mês. Ocorre, segundo ele, que do aumento autorizado para os remédios, em torno de 5%, 3,6% já foram captados pelo Índice, dando uma contribuição de 0,07 ponto porcentual. A expectativa inicial da Fipe era de que os medicamentos fossem subir em média 3,9%, gerando um impacto de 0,10 ponto porcentual para o IPC. Até a segunda quadrissemana, o aumento captado pela Fipe para os remédios era de 2,3%. "O aumento verificado até agora está muito próximo da estimativa da Fipe", disse o coordenador. Além dos medicamentos, Picchetti prevê que ao longo dos próximos dias, o preço do frango, um dos maiores responsáveis pela queda do grupo Alimentação desde março, deve sair da lista das maiores quedas do IPC para a de maiores altas. Na comparação ponta-a-ponta até a terceira semana do mês, a ave apresentava uma queda de 1,20% ante uma taxa negativa de 13,6% na semana anterior. O grupo Alimentação como um todo, ressalta Picchetti, está em desaceleração do processo de queda. Os alimentos semi-elaborados saíram de uma taxa negativa de 2,06% na segunda quadrissemana para -1,80% na terceira, enquanto os in natura, que haviam mostrado uma deflação de 0,92%, fecharam a última quadrissemana em -0,54%. Também os alimentos industrializados, que haviam mostrado uma queda de 1,14%, reduziram o ritmo para -1,02%. Para o ano, Picchetti manteve a projeção de 4,5% para o IPC-Fipe. Repetição em 2007 A soma de fatores que tem beneficiado o consumidor este ano poderá não se repetir em 2007, provocando taxas de inflação superiores às que vêm sendo registradas em 2006. De acordo com Picchetti, este ano, a má situação financeira dos produtores, conjugada com o bom clima, tem contribuído para que os preços dos alimentos, do ponto de vista do consumidor, tenha sido positivo. Não é o que se verifica, de acordo com ele, na ponta do produtor, que, por causa da apreciação cambial e da menor demanda nos supermercados, vendem sua produção a baixo preço, com a finalidade de formar caixa. Embora haja um discurso político de ajuda financeira para o setor agrícola, a necessidade do agricultor em fazer caixa este ano poderá provocar uma redução da área de plantio para a safra 2006-2007. Este texto foi atualizado às 15h00.

Agencia Estado,

26 Abril 2006 | 13h15

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