Fipe reduz para zero perspectiva de inflação para agosto

Depois de as duas primeiras taxas de inflação da capital paulista no mês de agosto terem surpreendido o mercado financeiro, o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Paulo Picchetti, decidiu revisar sua expectativa do IPC para o mês de 0,40% para zero. "Há chance de até constatarmos uma pequena deflação no período", afirmou.Na primeira quadrissemana do mês, o IPC-Fipe subiu 0,19%, e na segunda, 0,07%. As projeções do mercado para estes indicadores eram de 0,30% a 0,39% e de 0,09% a 0,23%, respectivamente. "O número de hoje obviamente surpreendeu ao mercado e a mim. Em vez de mostrar uma trajetória de elevação, o IPC-Fipe está desacelerando", comentou Picchetti.De acordo com o coordenador, todo este movimento inesperado da inflação deve ser atribuído ao grupo alimentação, que registrou queda de 0,92% na segunda quadrissemana de agosto. Picchetti salientou que ao longo de julho, este grupo mostrou a cada semana um número menos negativo do que o do mês anterior, seguindo em direção à estabilidade (- 1,43% na primeira quadrissemana, -1,30% na segunda, - 0,96 na terceira e - 0,74% na última)."A partir de agosto, no entanto, esta tendência se inverteu", disse Picchetti. Na primeira quadrissemana, apresentou uma deflação de 0,87%, e na segunda, 0,92%. Segundo o coordenador, este setor tem apresentado tanta oscilação que é difícil estimar seu comportamento nas próximas semanas. "O que sabemos é que nas próximas divulgações, a inflação continuará muito baixa em São Paulo, em parte como um reflexo do comportamento dos IGPs", considerou.Gasolina determinará inflação no anoA Fipe manteve a expectativa de que o IPC encerrará o ano com variação de 5% a 5,5%, mas, um possível aumento dos combustíveis, é que determinará se a inflação em São Paulo ficará mais próxima do piso ou do teto dessa estimativa. Nos últimos meses, Picchetti vinha salientando que o comportamento recente da inflação indicava uma taxa ao final do ano mais próxima da projeção mais otimista. "Mas, se vier um aumento dos combustíveis, como divulgou a imprensa hoje, a tendência é de o IPC fechar o ano mais próximo do teto", considerou.Picchetti fez uma simulação de um aumento de 10% no preço da gasolina e do diesel na bomba, a partir do dia 15 de setembro. Isto significaria uma pressão de 0,61 ponto porcentual no IPC até o final do ano, do qual 0,34 ponto porcentual de impacto direto.O coordenador disse que, apesar da alta do preço do petróleo no mercado internacional ser o principal obstáculo para a economia doméstica, ela não chega a preocupar, porque o cenário geral da inflação é benigno."A história seria muito diferente, se as projeções do mercado financeiro, feitas em maio, segundo a pesquisa Focus, estivessem se confirmando", afirmou, referindo-se à mediana para o IPCA de 2005, que chegou a 6,39% em meados de maio, conforme levantamento semanal do Banco Central com aproximadamente 100 instituições financeiras.

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