Fiscais do trabalho interditam plataforma da Petrobrás

Inagurada em dezembro, P-62 só poderá começar a produzir após resolver 11 irregularidades e passar por nova inspeção

VINICIUS NEDER, MARIANA DURÃO / RIO, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2014 | 02h05

Inaugurada em dezembro pela Petrobrás e lançada ao mar inacabada, a plataforma P-62 foi interditada para produção pelo Ministério do Trabalho e Emprego na sexta-feira. A plataforma só poderá começar a produzir após resolver irregularidades e passar por nova inspeção, que ocorrerá apenas quando as obras estiverem prontas.

Segundo o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), os fiscais identificaram 11 pendências que precisam ser atendidas antes do início das operações. Segundo um dos integrantes da equipe de auditores do trabalho, ouvido pelo Estado sob condição do anonimato, como é nova, a P-62 tem todas as condições de operar com segurança, mas "alguns itens precisam ser concluídos".

Em nota, a Petrobrás informou que "continuam normalmente as atividades a bordo da plataforma P-62". O auditor explicou que a interdição impede o início da produção. Atividades relacionadas às obras continuam com a P-62 em alto-mar.

O Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, revelou mês passado que a P-62 saiu do estaleiro incompleta, encarecendo a finalização das obras e expondo trabalhadores a risco. A P-62 foi a última plataforma da Petrobrás a ser entregue no ano passado, em cerimônia em dezembro com a presença da presidente Dilma Rousseff.

Segundo sindicalistas, não foi o primeiro caso. Por pressão política, para melhorar o saldo da balança comercial e dar satisfação ao mercado, as plataformas são inauguradas inacabadas e depois finalizadas em mar.

Representantes do Sindipetro-NF visitaram a P-62 e informaram que o sistema náutico saiu do estaleiro sem um cabo de ré, sem uma das amarras do sistema de ancoragem de bombordo (lado esquerdo) e sem o sistema elétrico pronto, entre outros itens.

"O certo seria que tudo fosse feito no estaleiro", disse o auditor do trabalho. O sistema de combate a incêndios, detectores de fumaça e gases e relatórios de inspeção do sistema de vasos de pressão estão entre os itens em falta na P-62.

Ontem, por meio de nota, a Petrobrás informou que após a inspeção "nenhum serviço foi interditado, estando liberados todos os trabalhos." "A P-62 somente entrará em produção quando estiverem concluídos os serviços de comissionamento previstos para execução offshore - aí incluídos todos os sistemas de segurança necessários - e obtidas as autorizações dos órgãos competentes, inclusive da SRTE. A Petrobrás reitera que a plataforma P-62 saiu do Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em Ipojuca (Pernambuco), após serem concluídos os serviços de comissionamento previstos para o estaleiro, havendo recebido todas as autorizações e licenças", diz a nota.

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