Douglas Magno/AFP
Douglas Magno/AFP

Fiscais dos trabalho interditam mais seis barragens da Vale em Minas Gerais

Grupo do Ministério da Economia identificou riscos para a segurança dos trabalhadores; com novo anúncio, sobe para nove o número de barragens interditadas no Estado desde a tragédia de Brumadinho

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2019 | 19h40

Fiscais do trabalho do Ministério da Economia interditaram nesta quarta-feira, 10, seis barragens da Vale em Minas Gerais. Segundo os auditores, foram identificados nesses locais riscos para a segurança dos trabalhadores. Com o anúncio de hoje, sobe para nove o número de barragens interditadas no Estado desde a tragédia de Brumadinho, em 25 de janeiro deste ano.

Segundo a Vale, todas essas barragens estavam com atividades paralisadas desde o mês passado. Com o anúncio, porém, nem mesmo os técnicos dedicados à manutenção dos equipamentos podem entrar no local.

Cinco dessas barragens estão localizadas na cidade de Ouro Preto, sendo que em Forquilha I e III já tinham sido colocadas em alerta máximo para rompimento pela companhia. No dia 27 de março, sirenes chegaram a ser acionadas, como protocolo, na zona de auto-salvamento (ZAS). As estruturas deixaram o nível 2 e passam para o nível 3 de segurança, o que significa risco iminente de ruptura. 

Desde 31 de março, a Agência Nacional de Mineração (ANM) proibiu 36 barragens de realizarem qualquer depósito de rejeitos. Essa proibição se deve à ausência de declaração de condições de estabilidade (DCE), que as empresas precisam apresentar à ANM de seis em seis meses – em março e setembro de cada ano. “Todas essas barragens estão sendo fiscalizadas pelos auditores-fiscais. Até o momento, interditamos nove barragens”, relata o coordenador da Comissão Permanente do Setor Mineral da Superintendência Regional do Trabalho no Estado, Mário Parreiras de Faria.

Segundo Faria, as barragens inteditadas não podem contar com trabalhadores nem mesmo relacionados às atividades para correção dos problemas e manutenção dos esquipamentos.

A Vale, por meio de sua assessoria de imprensa, confirma a interdição das estruturas. Em nota, a empresa destaca que a perda das DCEs das estruturas "não agrava seu fator de segurança, nem altera a projeção de vendas de minério de ferro e pelotas". A companhia, ainda em nota, "reitera que sua prioridade é com a segurança de todas as suas estruturas e, consequentemente, da população e trabalhadores a jusante. A produção dessas localidades somente será retomada quando a segurança das estruturas estiver assegurada".

As barragens interditadas pelo Ministério da Economia nesta quarta-feira foram: Forquilha I, Forquilha II, Forquilha III, Marés II e Grupo do Complexo de Fábrica, em Ouro Preto, além de Maravilhas II, em Nova Lima.

 

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