Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Fiscais encontram salmonela em hambúrguer de frigorífico investigado na Carne Fraca

As linhas de produção desses produtos foram interditadas e a produção da Transmeat será descartada

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2017 | 12h33

BRASÍLIA - Fiscais do Ministério da Agricultura encontraram salmonela nos hambúrgueres produzidos pela Transmeat, que comercializa a marca Novilho Nobre. Também foram encontrados estafilococos na linguiça cozida da Frigosantos. Esses foram os riscos à saúde encontrados pelos fiscais nas auditorias realizadas nos 21 frigoríficos alvos da operação Carne Fraca, da Polícia Federal, cujos resultados foram divulgados pelo secretário executivo da pasta, Eumar Novacki.

As linhas de produção desses produtos foram interditadas e a produção será descartada. Esses problemas foram encontrados em 8 de um total de 302 amostras analisadas. O consumidor poderá identificar esses produtos pelo SIF impresso na embalagem: 4644 (Transmeat) e 2021 (Frigosantos). O secretário explicou que não foram reportados problemas de saúde pelo consumo desses produtos, mas tanto a salmonela quanto os estafilococos podem causar vômito e diarreia. Ele disse que existem vários tipos de salmonela e a que foi encontrada não produz esses sintomas, mas o regulamento não permite a presença dessa bacteria em hambúrgueres.

Também foram encontradas fraudes de ordem econômica. Os embutidos produzidos pela Souza Ramos e pela Peccin continham ácido sórbico, um conservante proibido. Os lotes já foram recolhidos. Outra fraude detectada foi excesso de água no frango da BRF processado em Mineiros (GO), que está interditado desde o início da operação, e pela Frango DM.

O governo também iniciou os procedimentos para cancelar a inscrição no Serviço de Inspeção Federal (SIF) de dois frigoríficos da Peccin (SIFs 821 e 2155) e da Central de Carnes, SIF 3796. 

 

 

Resposta. A BRF afirmou que alguns dos resultados nas análises do teste que mede o teor de água no descongelamento de carcaças de frango (os chamados "Drip Tests") realizadas pelo Ministério da Agricultura na unidade de Mineiros (GO) foram divergentes dos resultados obtidos nos controles realizados diariamente dentro da unidade produtora pela própria empresa. 

"Cabe ressaltar que existem inúmeras variáveis que podem interferir nos resultados de Drip Tests realizados em frangos congelados coletados nos centros de distribuição, tais como condições de transporte e acondicionamento do frango assim como questões fisiológicas", relatou a empresa em nota.

A companhia afirmou, ainda, que solicitou contraprova junto ao Ministério da Agricultura e que está realizando uma "verificação rigorosa nos seus controles de processo na fábrica e centros de distribuição". "Até uma resposta definitiva, os produtos permanecerão retidos, apesar da inexistência de riscos à saúde do consumidor", completou a BRF. /COM CAMILA TURTELLI

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